sábado, 9 de maio de 2009

Star Trek

Star Trek: Once Upon A Time...

Era uma vez uma série nos anos 60 na televisão americana que contava histórias de ficção-científica, sobre uma tripulação multinacional e étnica, de uma era em que a Humanidade estava unificada sob uma regra benevolente, havendo encontrado alienígenas que haviam ou se aliado em uma pacífica busca pelo conhecimento estrelas afora, ou à ela se oposto francamente, gerando inevitável conflito.

Era uma série em que não bastava apertar o gatilho todas as vezes. Havia momentos em que se questionava sobre apertar o gatilho, ou mesmo se violência era a melhor solução, assim como suas consequências. Sim, havia essa série, que ousava propor questionamentos éticos e dilemas morais, por mais rasos que pudessem ser dentro das limitações do formato - mas eles tentavam. Mesmo. Acreditem, essa série existiu.

A série durou, entretanto, apenas três anos, com problemas entre audiência e grade de programação, com o último ano recheado de episódios de baixa qualidade em suas histórias.

Um belo dia, dez anos após o encerramento ou quase, fizeram um filme. Um filme grandioso, kubrikiano em mais de um sentido, mostrando a velha turma um pouco mais... velha. E ai fizeram outro filme. Sensacional, resgataram um vilão da velha série, foi duca. Fizeram um terceiro. E um quarto. Um quinto. Um sexto. Fizeram também, a essa altura, uma nova série, passada 80 anos depois ou quase, dos eventos da primeira série. Fizeram mais outra série, e outra, e outra. Também fizeram mais quatro filmes.

Mas talvez tenham feito demais. Mas como resistir? Era lucrativo demais para não se manter o nome vivo - fora jogos e uma miríade de produtos franqueados. Uma galinha dos ovos de ouro. Não obstante alguma coisa ter se perdido... menos ideais, mais expediência, talvez. Mais histórias em cima de efeitos especiais. Reciclagens de velhos temas abordados, apresentados sob novos efeitos. Algo simplesmente não dava mais certo.

Star Trek: To The Absent Friends

Há dez anos ou o que seja que eu me refiro a Jornada Nas Estrelas como um querido amigo de infância, companheiro de todas as horas, e até de início de adolescência, mas que lá pelas tantas passou a se envolver com más companhias e drogas pesadas: eu o trato com preces, saudades, e uma saudável distância.

Mas ai, é claro, quando ele aparece, fraquejo, e vou vê-lo. Apenas para constatar que nada mudou, ou que assim todos nos enganamos, ou que as supostas melhoras aventadas apenas me fazem sofrer mais um pouco.

É sério. Eu fui ao cinema após longos meses de preparo psicológico, baixando como podia minhas expectativas, conforme explico um pouco mais abaixo. Eu fui com o coração tão aberto quanto pude - até com um certo entusiasmo, face à mudança do comando criativo da franquia. Eu achei que eu ia realmente curtir. Eu não achava que ia ser o ó do borogodó, eu achava que iria ser melhor do que pérolas como Insurrection ou Enemesis. Claro que isso devia ser obrigação, e não mérito, por um lado. Eu havia visto o trailer. Tudo colorido, tudo brilhante, e, de fato, tem um lens flare a cada cinco minutos, ou quase. Parecia divertido, um ótimo combate de naves, saltos de para-quedas de órbita, mais naves! Ok! Yaaay! Mas não vamos esperar mais do que isso - ei, Jornada nas Estrelas II e III são, em essência, aventuronas. Que mal há nisso? Não vamos esperar mais do que isso, repito.

Ou vamos?

O filme de J.J. Abrams tira das mãos dos responsáveis pelo afundamento da franquia, quebrando com um formalismo oriundo da segunda série de tv (caracterizada nos últimos quatro e cada vez mais desastrosos filmes), e indo na direção de algo mais aventuresco, concluído do que seria a série original dos anos 60.

Star Trek: All That Glitters

Até ai, ok, ainda que J. J. Abrams seja mais conhecido por hits de cinema (Cloverfield) e tv (Alias, Lost) que não precisem exatamente de muito conteúdo. Entre alguns amigos, havia a piada que repetíamos, "Gente!... é filme do J. J. Abrams!... vai ter gente bonita!... vai ter muita ação!... fotografia fodona!... altos efeitos especiais...! vai ser UMA MERDA!"

Ah, então é feio ter gente bonita, muita ação, fotografia fodona e altos efeitos especiais? Não, claro que não é, tá maluco?

O que é feio é só ficar nisso, especialmente se você leva o nome Star Trek na jogada, e ainda por cima quer remeter à velha série. Aquela mesma série que, ao contrário de todas as outras de FC dantanho, salvo Além da Imaginação, apesar de ser uma proposta bem diferente, era uma série que falava de racismo, males da guerra, códigos de conduta, etc, etc, e tal - podia fazer pensar E divertir - ei, revolucionário, não?

Star Trek: I Don't Give a Frak Anymore

Mas, já que vocês estão chegando até aqui, eu vou lhes contar o que realmente me fode nesse filme. Não, não é o apelo ao impetuoso-porém-sempre-certo. Não é a bicada na cronologia que existe além da questão da interferência temporal. Não é o fato de que os dois planetas centrais à trama se chamam Vulcan e Iowa. Não é o fato de se ter tanto, mas tanto e tanto já feito, e assim mesmo se abrir mão disso tudo em nome de liberdade para "criar". Não, também não é o fato de outra maldita viagem no Tempo. Não é o fato de, e sacaneio, um mineiro revoltado do Século XXIV ter conseguido fazer o que a Coletividade Borg não conseguiu. Não é o fato do vilão ser o segundo romulano com uma nave do Juízo Final na segunda vez consecutiva. Não é o fato de, apesar de ser Star Trek, a Astronomia não fazer mais sentido do que se fosse na velha série de Perdidos no Espaço. Não é o fato dos vulcanos não me convencerem. Não é o fato de sentir que nem Leonard Nimoy funciona como Spock.

Eric Bana: mineiro revoltado.

É o fato de ser mandatório gostar desse filme. Que os que não gostarem passam a "não saber o que estão perdendo". E quem tenta argumentar é "nerd chato babão". Que basta ser uma "aventura despretensiosa" - quando não há NADA, aprendam, NADA de despretensioso em qualquer projeto de milhões de dólares - para se passar a mão na cabeça por todas as suas incoerências. Eu odeio o discurso da simploriedade. E esse filme é simplório para caralho. Mas se FC reflete a mentalidade do tempo em foi escrita, então esses são os tempos da simploriedade. Filmes para o Homer Simpson não precisar entender.

E ai de quem um dia quis mais.

domingo, 3 de maio de 2009

A Roda do Tempo

Conforme anunciado na Rede RPG, a obra de Robert Jordan, Wheel of Time, inédita em Terras Brasis, será publicada ainda este ano. A casa é a Caladwin Editora, que começou com RPGs.

Previsões antigas...

... que viraram retrô. Eu amo isso.







Esse último aqui é motivo de discussão. Eu falo que FC aqui no Brasil é literatura de gueto, nego fica puto. Mas é.

FC é coisa de país industrializado, de tecnologia e ciência hard, e que sobretudo, como parte do investimento na indústria, acostuma a população a crer que a felicidade material está logo ali, daqui a alguns poucos anos. Ou seja, acaba acostumando a população que o esquisito tem sim, a ver com você e sua vida. A tecnologia entra no imaginário coletivo. Sem isso, não dá.

E não adianta dizer que Star Wars, Matrix e Arquivos X fazem sucesso, porquê ai é a) é uma questão de "filmes de ação" e b) uma questão de veículo, de mídia, e não de gênero. Repitam depois de mim, amiguinhos: hábito de ver televisão/ir ao cinema não gera hábito de leitura. Na melhor das hipóteses, um meio-termo, um suporte que tanto dependa de imagem como de texto: as histórias em quadrinhos.

Aqui no fazendão, se você quer escrever Horror, Fantasia, Realismo Mágico, vai fundo. Mas FC? Pouco provável.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

And then...

... there was much rejoicing.

Straczynsky confirmado em Lensmen.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Três Hipóteses...

... por que eu acho que FC, literatura, não emplaca no Brasil.

1) O Brasil é um país de industrialização tardia, que acabou por não conseguir imprimir uma 'cultura tecnológica' que tenha passado à sociedade.

2) O Brasil não tem uma classe média bem estabelecida, ou um acesso à instrução garantido à qualquer camada populacional. FC é uma manifestação cultural de, pelo menos, classe média. Falta então público com referencial e identificação para apreciá-la.

3) Esoterismo. A religião Espírita desenvolveu-se, aparentemente, no Brasil mais do que em outros países, vindo com uma linguagem cientificista - 'evolução', vida inteligente em outros planetas, planos de existência - e um "sense of wonder" bastante semelhante à de obras de FC. Racionaliza-se a alma, as possibilidades de múltiplas vidas, etc. Do Espiritismo em diante, de suas raízes com métodos e qualquer instrumentação que se tentou desenvolver para estudar os mistérios da alma; indo para o mais desvairado esoterismo, do tipo Ashtar Sheram e quetais, acrescenta-se então uma dimensão humana que a FC tradicionalmente não trata, dando um aspecto 'menor' à esta forma de literatura. Temos, na verdade, um substituto para a FC na literatura esotérica de modo geral.

Talvez a literatura de FC brasileira, para sair do nicho, tenha que eternamente por elementos de misticismo, "cristais" e coisas do tipo -- até por causa dos dois itens acima. Ou é "coisa de americano".

Ok, então isso é ruim? Não necessariamente. Não é a minha FC, decerto. Claro, autores, individualmente, sempre podem surpreender.

Comentários? Idéias?

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Resenha de 'Zigurate'...

... por Fernando Trevisan, sobre este ótimo livro do meu caro Max Mallmann.

Anos atrás, assim que saiu, eu também fiz uma, disponível aqui no site d'O Cisco Tonitruante.

Também aqui tem uma outra, do livro anterior de Max, Síndrome de Quimera.

Bom ver que Zigurate está em fase de adaptação para o cinema.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

sábado, 12 de abril de 2008

Voltou o site do CLFC

Minha prezadíssima Ana Cristina Rodrigues, atual presidente do próprio, passou adiante que o site do Clube de Leitores de Ficção-Científica voltou, após algum tempinho fora do ar.

www.clfc.org.br

quarta-feira, 9 de abril de 2008

"Reconhecimento de Padrões" relançado...


... pela Editora Aleph, com tradução de Fábio Fernandes. A partir de sexta-feira, 9 de Abril, nas livrarias.

Fonte: Delfin, na Comunidade de Ficção-Científica do Orkut.

Philip K. Dick em animação da Disney/Pixar.

Do Omelete:

King of the Elves (Natal de 2012)
Disney
Direção: Aaron Blaise, Robert Walker
Sinopse: O conto de Phillip K. Dick serve de base para esta fábula sobre um homem normal do delta do Mississippi que ajuda um grupo de elfos desesperados e acaba nomeado rei dos seres fantásticos. Ao lado dos elfos, contra um malvado e ameaçador troll, o inusitado líder entra numa jornada por inimagináveis perigos - que podem dar sentido à sua vida.


Para a matéria inteira, clique aqui.

Essa história não conhecia. Vamos ver o que sai. Adaptações de PKD no cinema já não são novidade desde pelo menos Blade Runner (1982), e nem sempre tão boas. Não seria a primeira animação, recentemente O Homem Duplo foi lançada, com uma técnica baseada em rotoscopia e CG.

terça-feira, 8 de abril de 2008

FC by Pixar!

A essa altura não é bem novidade, mas o próximo longa de animação da Pixar será de Ficção-Científica, Wall-E.

Remontando uma tradição dentro do gênero que pode ser encontrado até em H. G. Wells, apesar do pacote infantil, esta é uma crítica social, sobre consumo desenfreado, desperdício e poluição.

Não deixa de me soar... estranho... uma corporação fazendo críticas ao consumismo desenfreado. Mas, que diabos.

Estabelecer curso para Finisterra!

Uma das pessoas que mais vejo agitar o meio da Ficção-Científica no Brasil é Ana Cristina Rodrigues, atual presidente do Clube de Leitores de Ficção-Científica. Historiadora medievalista, ela atualmente se dedica a um romance de Fantasia medieval (talvez um dos poucos, na verdadeira acepção da palavra) de nome Finisterra, e resolveu documentar a criação neste blog.

Revista de FC gratuita on-line

Em uma das recentes tentativas de promover a FC no Brasil, a Black Rocket publica contos de autores iniciantes ou de quem se dispuser a participar.

Hyperion na tela grande

Alguns dias atrás, os estúdios Warner Brothers anunciaram a adaptação da obra de Dan Simmons, Hyperion, e sua sequência, The Fall of Hyperion.

Estas obras, baseadas em diversos autores e obras importantes, de T.S. White a Decameron, é colocada ao lado das grandes obras do gênero, como Fundação e Duna.

Para o fã brasileiro, sempre carente de novidades, é uma chance de que estes livros saiam aqui, uma vez que pelas grandes editoras a FC só vem sendo lançada mediante algum blockbuster por aqui. Foi assim com Eu Sou A Lenda, para citar um caso recente.

Quanto a adaptar dois livros de extrema complexidade em um só blockbuster, hum... quem viver, verá.

Intempol on-line retornando...

Após um revés desagradável, aos poucos o primeiro universo compartilhado de ficção-científica brasileiro, a Intempol, retorna ao ar.

Nada mais merecido após estes dez anos, que renderam uma antologia, um romance, e uma graphic novel. Mais vem vindo por ai, acompanhem.

É, eu sei.

Mais um blog de Ficção-Científica. Até colaboro em um outro. Mas deu na telha.