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sexta-feira, 10 de julho de 2020

Psicopompo



Psicopompo: porque a luz pode ser tão apavorante quanto as trevas.

Acaba sendo um pouco difícil para mim falar algo mais do que já foi dito sobre Psicopompo, até mesmo nas páginas de apresentação da obra. Ainda, tem uma entrevista com eles aqui, e outra, de 2015, aqui. Só posso dizer que tudo aventado foi entregue, e a contento.

PSICOPOMPO | Quadrinho carioca já tem data de lançamento ...
Psicopompo: após tantos anos sendo planejado, eis finalmente o fruto dourado do sol.

A história é relativamente simples: em uma disputa de futebol entre meninos no campinho de uma favela, a batalha cósmica que define o fim de uma era ou ciclo está acontecendo. O anonimato do evento não torna o confronto menos importante ou decisivo, enquanto agentes imortais tentam influenciar sua decisão.

Eu disse, "relativamente".

Psicopompo on Twitter: "Ainda acha que os balões dos quadrinhos ...

O enquadrar e o reenquadrar.

O texto é de Octavio Aragão e a arte, de Carlos Hollanda, e como em toda boa parceria, um influenciou o outro durante o processo. Ambos são acadêmicos e profissionais com interesses e formação férteis para pensar em significados: quadrinhos, ficção científica, design, astrologia, arte e história da arte. O resultado é uma rica colheita esotérica-semiótica hipnotizante, especialmente em se tratando das cores... as cores... ah-ham. A arte passeia por significados não totalmente óbvios na primeira passada de olhos. É das obras que gostamos de apreciar, após a história lida, por suas páginas.

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E Megiddo, quem diria, foi parar em Irajá.

Páginas estas que demoraram. Foram concebidas, tratadas, refinadas, refeitas desde 2014, entre reconceituações e a própria vida que passa diante de nós, ora tumultuada, ora rápida demais. Mas o resultado está aí. Valeu por todo esse tempo de espera? Sem dúvida.

Psicopompo
84 p.
Caligari, 2020.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

A Mão Que Pune - 1890

A Mão Que Pune - 1890, por Octávio Aragão (2018)

A Mão Que Pune - 1890 é a sequência de A Mão Que Cria, que tive a oportunidade de ler e resenhar aqui. Terminei a resenha falando sobre esta sequência, desde então em desenvolvimento, com "Resta aguardar". Pois eis.

Vou me repetir um pouco, da resenha antiga: acompanho a carreira literária do amigo Octavio Aragão desde os tempos da Intempol e, como na resenha de 2011, cabe o alerta ao leitor de que isenção não é exatamente o caso aqui. Tive, ainda, o prazer de ser um dos 'leitores beta' do romance, ao longo de 2018. Ver a obra acabada foi uma grande alegria.

Ficção-Científica, ambos os livros são ainda o que se chama "Ficção Alternativa", em que personagens existentes são recontextualizados em uma nova história, nunca pretendida por seus autores originais. O grande expoente do gênero ainda são as HQs de A Liga dos Cavalheiros Extraordinários, por Alan Moore, e mais recentemente a excelente Penny Dreadful (HBO, 2014-2016) apresentou o conceito para muita gente. Na literatura, recomendo novamente Anno Dracula, cujas continuações no Brasil pelo visto vão ficar devendo. Inevitavelmente, cabe ainda localizar aqui a obra no subgênero steampunk.

AMQP é uma "prequel" de AMQC, passando-se no final do Século XIX, semeando as situações que vimos se desenrolarem no segundo livro. Assim como nele, aqui temos também um desfile de personagens históricos e fictícios interagindo entre si e protagonizando uma história de aventura e ação, intrigas e planos para dominação global.

Começa em Paris, 1890, com a narrativa pela voz do protagonista Angelo Agostini, chargista político brasileiro da vida real que foi a dor de cabeça de Dom Pedro II e dos políticos do Império, agora vivendo a tragédia pessoal da morte recente da amante e tendo seu filho recém-nascido sequestrado por partes inesperadas e terríveis.

Mas isso é tão somente o começo: são 210 páginas de aventuras aéreas, vinganças, truculências e cientistas loucos com suas versões do que é melhor para a Humanidade; um desfile histórico e fictício  de personagens em situações que, como leitores, poderíamos pensar como ficaria com mais detalhes e desenvolvimento alguns trechos, explorá-los por outros vieses e com ainda mais personagens. Sob o certo aspecto, o livro funciona como um celeiro de ideias que, espero, possamos vir a ler algum dia demais desenvolvimentos.

A obra conclui com um gentil posfácio contando a gênese da obra, assim como detalhes sobre os personagens apresentados: pesquisa foi feita, em pelo menos um caso, acadêmica - Agostini foi tema de Mestrado do autor. Boa parte ali, advinda de uma extensa e prazerosa vida de leituras.

De brinde, ainda prefácio por Christopher Kastensmidt, autor do projeto A Bandeira do Elefante e da Arara, projeto lúdico envolvendo o Brasil Colônia.

Foram 12 anos entre um livro e o outro. Tempo demais, mas às vezes assim vai a vida. Cabe agora torcer para que a Caligari adote e lance A Mão Que Cria, dispondo mais essa obra de Octavio Aragão para o leitor que está chegando agora ou que perdeu a oportunidade na época.

(Esta resenha está na íntegra no jornal BrasilBest, sediado em Miami, para a colônia brasileira.)

A Mão Que Pune - 1890
210 p.
Editora Caligari

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Mão Que Cria



A Mão Que Cria, por Octavio Aragão (2006)

Levou quatro anos, mas finalmente decidi ler A Mão Que Cria, comprado e autografado na noite do lançamento, em 2006. Devorei.

Conheço o autor desde os 1998s da vida, da convivência virtual em listas dedicadas a ficção-científica e afins, especialmente da finada e saudosíssima lista da Intempol, seu projeto de shared universe literário. Ou seja, não sou isento aqui. Uma vez alertados...

Uma miríade de referências literárias, cinematográficas e de quadrinhos montam uma história de vingança, de feudos e dramas pessoais, firmemente entrelaçados nos destinos políticos de um mundo divergido do nosso histórica e tecnologicamente, com personagens históricos e fictícios convivendo, à maneira do gênero conhecido por ficção alternativa, da qual Anno Dracula (resenhado mais abaixo, no ano passado) é grande exemplar - e do qual o próprio Octavio Aragão assina o posfácio da edição brasileira.

Como um dos homens-golfinhos descritos, o autor desliza bem entre as referências que lança, costurando eventos isolados no tempo e na geografia, com saltos não só entre lugares mas também em períodos e eventos históricos. Ataques de zumbis, supersoldados, as duas guerras mundiais, reis submarinos manetas... a lista vai longa. Gentil, o autor ainda dispôs um pequeno guia de referências ao fim do livro.

A prosa do autor, em escritos passados, não costumava poupar muito o leitor, que tem que estar atento, às vezes 'ir de um neurônio', na gíria dos skatistas. Neste livro, a coisa é mais branda, há mais explicações do que estou acostumado a ver, mas faz parte de se escrever um page-turner.

O livro vem pela Editora Mercuryo, que na época ainda lançara Outros Brasis, de Gerson Lodi-Ribeiro, sob o selo Unicórnio Azul, dedicado à literatura fantástica. Até onde soube, o selo foi extinto e, constatando no site da editora, ambos os livros não estão mais em estoque.

Apenas um alerta aos incautos: a editora comeu mosca, ao publicar datas erradas no início de certos trechos do livro (fazendo com que, por exemplo, o rei submarino maneta, descrito como havendo perdido a mão em 1970 assim já esteja nos capítulos finais, ditos em 1946). Em uma narrativa que naturalmente vai e volta ao longo do Século XX e arredores, isso pode realmente confundir. Um pequeno cartão anexo explica isto, mas caso seu exemplar não tenha, ou você não encontre... é torcer para que em uma futura edição isto seja revisto, além de outros deslizes menores. Certamente merecia mais cuidado.

De qualquer forma, em andamento já está a sequência: A Mão Que Pune. Resta aguardar...

A Mão Que Cria
159 p.