domingo, 16 de novembro de 2014

Interestelar


Não deveria se chamar Intergalactic? 

Interestelar tem o grande mérito de ser uma produção hollywoodiana de FC que não é space opera pew-pew-pew: nada contra, mas muito a favor de variedade. Com Gravidade, de Cuarón, talvez aponte para uma saída ocasional dentro do gênero.

Visualmente é estarrecedor, com imagens do sistema solar e além na beleza e quietude de hard science-fiction, desde Saturno com seus anéis até o voo através do wormhole próximo e a tal simulação gráfica de como um buraco negro pode ser que seja aos nossos olhos, realizada inclusive para o propósito do filme. Que o filme bebe diretamente de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, é óbvio: aliens transcendentes tentam se comunicar com seres Humanos para fins ou por intenções não exatamente claros. Sendo a comparação inevitável, não me furtarei à ela.

Outro tema que pode ser ligado a 2001 é o da viagem ao desconhecido, e todos os riscos envolvidos. Viagem e solidão estas que em 2001 não usam de um componente importante como sendo o de quem você deixa para trás. A saudade que aperta e não pode ser recuperada, esse fator humano é posto de lado na obra de Kubrick/Clarke. Entretanto, a solidão do viajante é perturbada pela presença de mais de duas pessoas (Frank Poole estava com Dave Bowman até o famigerado “acidente” com a unidade na antena AE-35) e, principalmente, pela fala. No que 2001 é um dos filmes mais silenciosos da era do cinema falado, fala-se pelos cotovelos em Interestelar.

Percebam: o filme começa bem, com um discurso – é meio cheio deles… – sobre a necessidade do voo espacial enquanto fomentador de sonhos e inspirações das gerações futuras. Isso é MUITO bem-vindo nos dias que passam, extremamente feliz ao ser aventado, pena que tão pouco aproveitado, e não mais citado – explicitamente – mais tarde.

Agora, quando leis da física e do que não é física nem aqui, nem na China, começam a ser elaborados e elucubrados, a coisa fica rocambolesca e o que é pior, com ares de seriedade desnecessários. Mas já com seus “Batmans” (ok, não gosto deles), o diretor Christopher Nolan me parece que sofre deste mal.

O roteiro de 2001 é de Arthur C. Fucking Clarke: não somente escritor de ficção-científica extraordinaire, mas também matemático, sempre antenado com as mais recentes descobertas científicas das quais usava para montar suas tramas, sendo conhecido como um expoente da ficção-científica hard.

O de Interestelar é por Kip Thorne, físico teórico de mão cheia, cuja obra inspirou o filme também atuando como consultor científico e produtor-executivo. Também escreveu "A física de Interestelar", e um amigo físico disse que a parte da astrofísica está ok, até onde ele viu: abaixo dessa esfera é que estão os probleminhas de concessão em prol do plot.

Bem, não vou me estender aqui, para não bancar o chato: mas se você vai propor uma história de hard s. f., então não sugira planetas habitáveis em órbita de buracos negros. Não me parece que façam bem à existência – at all, inclusive – de cadeias de hidrocarbonetos e outros etcs.

O resultado é que Nolan mira no Kubrick, mas acerta no Spielberg.

A pecha para filmes grandiosos está lá, mas não a liberdade de algum “family magic” em que finais felizes e valores familiares acima de tudo devem imperar, mesmo que destoem do que parece ser o filme, originalmente: no caso, a premissa do abandono de quem se ama. O trecho final do filme parece servir à “ditadura da felicidade”, lembrando-me de Inteligência Artificial, não por acaso um filme de Kubrick assumido por Spielberg, sendo uma montagem meio rápida, sem maiores explicações, para garantir o final feliz, o reencontro e o amor acima das dimensões – até O Quinto Elemento resolve isto melhor... –; ficando apenas sugerido a concretização do discurso inicial do filme: uma civilização como a nossa, que desistiu oficialmente do espaço, volta triunfante a este caminho. "A Humanidade nasceu na Terra, nunca foi dito que deveria morrer nela."

São quase três horas de projeção, realmente, não bebam muito antes da sessão.

EDIT: Uma atualização em 20/03/15

De fato, a ditadura da felicidade arruinou este que poderia ser um grande filme, mesmo, segundo matéria do io9.com:

Jonathan Nolan's much more straight-forward ending "had the Einstien-Rosen bridge [colloquially, a wormhole] collapse when Cooper tries to send the data back."
So no tesseract (that was Christopher's idea), no time manipulation, and no return home. Nolan didn't elaborate on this point, but we might speculate that the original end to the movie was as dark and unforgiving as space.
So it sounds like that would have been the end for Cooper. He would have sent the data without knowing if it had reached Earth or if the people back home would be able to use it. There would have been no reunion with Murphy and no raising babies with Dr. Brand. Cooper would try to be the hero, but he wouldn't get to see if he succeeded — none of this "love transcends dimensions of time and space" mumbo-jumbo.

sábado, 16 de novembro de 2013

A Ilha dos Dissidentes


A Ilha dos Dissidentes, ed. Gutenberg

A Ilha dos Dissidentes é o romance de estreia da brasiliense Barbara Morais, e segue pelo nicho de mercado do young adult, lugar este que ultimamente tem rendido populares acertos juntos com a Ficção-Científica.

Nele, em uma sociedade séculos à frente, transformada por guerras, divide-se em dois grandes blocos mundiais em oposição um ao outro, enquanto mutações levam à geração das aberrações, indivíduos com os genes alterados o suficiente por radiação, armas químicas e mesmo tempestades solares que acabam nascendo com superpoderes.

Como o nome indica, as aberrações são tratadas como cidadãos de segunda categoria, ferramentas e mesmo armas no conflito das duas nações, obrigadas a se vestirem de forma que as distinguam como tal e, a qualquer momento, podendo ser enviadas a missões mortais pelo regime. Vivem em cidades para elas somente, não sendo necessariamente desconfortáveis (Pandora parecia um ótimo lugar para se viver, aliás).

Narrado do ponto de vista da protagonista Sybil, uma órfã sobrevivente de um naufrágio (onde descobriu ter poderes) que chega a Pandora, cidade de aberrações, e cai em uma família adotiva amorosa, faz amigos e coisas do tipo - quando acaba sendo convocada pelo Estado...

O livro é uma boa aventura - e a isso se propõe - e ótima estreia da autora, terminando com bons ganchos para as sequências: é o primeiro duma trilogia, conforme na capa.

Contudo, cabia um melhor tratamento na revisão do texto.

A autora contou que teve a história inspirada após uma aula de Ciências Políticas, o que faz bastante sentido. FC tem sempre a chance de questionar a condição humana ao oferecer-se como metáfora da mesma, extrapolando em um cenário extremo ou simplesmente estranho. Cenário que, no caso, encontra eco nos quadrinhos, impossível não se lembrar, face a condição das aberrações, a Irmandade dos Mutantes da Marvel e seu líder, Magneto - embora esta não seja a condição aqui. Bem, não nesse primeiro livro... :)

Bom começo. Que venham as sequências.

Barbara Morais - A Ilha dos Dissidentes
304 p.
Editora Gutenberg.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A espada e o autógrafo...

A belíssima capa da nossa antologia.

E ontem foi o lançamento oficial - o livro já está à venda faz um tempinho - da coletânea Excalibur, da qual participo com meu prezadíssimo Daniel Bezerra com um conto, Momento Decisivo. É um conto baseado na lenda do encontro de Lancelot com o cavaleiro Turquine, transportado séculos e séculos à frente, em um contexto de space opera.

Foi um prazer à parte, pois fiz com um amigo meu e grande entendedor de all things arthurian. É bom quando um sócio em uma empreitada também é seu amigo pessoal, e de anos. Espero haver mais oportunidades assim.

E aí, ontem, como eu disse, foi o lançamento - e, claro, pra que um blog, não é mesmo, se você se esquece de avisar sobre isto aqui? Sentei-me com outros autores presentes da antologia, assim como Ana Lúcia Merege, a organizadora, em uma mesa, para... dar autógrafos.

Mês passado Mr. Draco, o editor Eric Santos, esteve no Rio e brevemente nos encontramos. Outro autor também estava lá, e um exemplar lhe foi dado diretamente. Eric pediu: "Assina pra ele".

Eric me pediu. Eu. Dando autógrafo.

Levei um tempo olhando para as páginas de abertura do nosso conto, com meu nome e de Daniel, babando um pouco. De ver algo assim publicado (prazeres aliás que Daniel teve ao rachar os créditos de Pura Picaretagem, com Carlos Orsi, um pouco mais cedo ainda neste ano), nome ali e tudo o mais.

E aí, ontem. Na incrível livraria Blooks, que sempre acolhe os eventos dos malucos de FC e afins. Ontem eram duas coletâneas, a nossa e Solarpunk, organizada pelo Gerson (da qual infelizmente não participei). Amigos, conhecidos e desconhecidos presentes... e eu dei autógrafos.

O primeiro foi dado a outro colega de antologia. Pensei em algo mais ha-ha-há, e assim fiz. O problema foi a noite inteira. Colei dos coleguinhas, mais safos e vividos do que eu, desejando uma boa leitura. Sim, isso era bom, sincero e enxuto. Podia repetir quantas vezes fosse. Erro de principiante, decerto. Mas assinei, assim mesmo. :)

Bobagem, claro. Mas uma bobagem de um sabor legal, se me dão licença.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Cavalo-Marinho do Céu

Cavalo-Marinho do Céu, ed. Hemus

Este livro foi escrito por Edmund Cooper em 1969, e conta a inusitada história já familiar hoje em dia de um grupo de desconhecidos que desperta em uma paisagem estranha, com elementos familiares que somente aumentam o grau de estranheza (uma rua com somente um hotel vazio, super-mercado logo à frente, também vazio), após terem sido abduzidos do voo em que viajavam.

Juntos, eles aprendem a unir esforços para descobrir onde estão e quem são seus misteriosos sequestradores, entrando em contato com dois outros grupos de seres humanos de origem adversa e nível tecnológico diferentes.

Se por um acácio você está pensando em "Lost", não deixa de ter razão. Posso garantir, entretanto, que o final não somente é surpreendente como faz sentido.

Nunca li nada do autor, mas gostei das ideias apresentadas. Talvez sob certos aspectos a história esteja um pouco defasada, com poucos conflitos dos membros do grupo principal da história, e menos ainda com os dois outros grupos. Os personagens centrais, apesar de serem simpáticos, não me pareceram bastante desenvolvidos, mas isso pode ser gosto pessoal meu.

Edmund Cooper - Cavalo-Marinho do Céu
221 p.
Hemus - Livraria Editôra Ltda.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

The Europa Report



SPOILERS!!!!!

Um bom filme de FC com tendências hard, sendo mais focado nas reações humanas do que qquer outra coisa, The Europa Report é um filme realmente de exploração espacial: o questionamento sobre sacrifícios em prol do conhecimento é algo que faz muito tempo que não vejo por aí.

Algumas coisas que eu achei meio "em prol do drama", que acaba sendo sempre mais importante do que verossimilhança: achei as duas primeiras mortes desnecessárias, no sentido de deveria haver melhores protocolos de segurança: e cadê uma boa mochilinha atividade independente, que já existe desde os anos 90? E atividades lá fora com apenas uma pessoa? Nego não pôs astronautas em dupla pra andar na Lua no programa Apolo à toa.



Ocorreu-me que - e isso não é demérito - o filme é como se fosse um trecho curto do livro 2010-Uma Odisseia no Espaço II expandido para um filme inteiro: o desastre da Tsien, em Europa, por formas de vida que dependem de luz para sobreviver.

O filme tem a estética de câmera de segurança, meio reality-show, como coisa de uma dúzia de filmes e séries dos últimos dez anos têm apresentado. Recomendo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Edgar Alan Poe - Contos do Terror


Edgar Allan Poe - Contos do Terror  - Fantásticos Econômicos Newton (1995)

Pela Coleção Econômicos Newton, adquiri esta coletânea daquele que é considerado como mestre por H. P. Lovecraft. Um dos autores mais influentes no gênero terror-gótico, também foi menosprezado em sua época, somente depois de sua morte sendo descoberto primeiro na Europa (por Baudellaire) para depois, nos EUA, ter o reconhecimento tardio: Edgar Alan Poe (1809 - 1949).

Só o conhecia mais de fama e de que tanto falam do que, realmente, por obra. E da obra, só conhecia O Corvo, talvez seu escrito mais famoso - e que sempre muito gostei, apesar de uma certa resistência interna à poesia.

A intenção deste volume foi, do que entendo, reunir os textos de Poe mais "explícitos" em relação ao sobrenatural. São eles O gato preto, A queda da Casa de Usher, O enterro prematuro, O coração denunciador, Uma descida no Maelstrom, O manuscrito encontrado em uma garrafa e O poço e o pêndulo.

Narrados em primeira pessoa, o personagem - sem nome - sempre está sob uma ameaça constante, real ou imaginária, de alguma força que, percebe logo ou não, está além de seu controle. São as descrições de cada momento, do oprimir de cada batida do coração, da respiração que vai pesando, dos passos cada vez mais pesados, até o final. São narrativas claustrofóbicas, antes de mais nada - O enterro prematuro que o diga.

Eu não sou crítico literário, sou apenas prolixo. Vou então me alongar naquilo que me fez sentir, como de hábito.

Eu achei que O gato preto talvez seja a melhor história de terror/horror. Não só pela questão do gato em si, mas da maldade inerente do personagem, que se diz bom quando mais jovem, mas que agora cometia maldades pelo bel-prazer da coisa, não obstante ainda reconhecer que o mal feito ao outro era o mal feito a si mesmo:

"Quem não se viu centenas de vezes realizando uma ação vil ou estúpida por nenhum motivo, exceto o de que não deveria realizá-lo? Não somos dominados por uma eterna tendência a violar, apesar das nossas melhores intenções, aquela que é a LEI, somente porque sabemos que é essa que estamos infringindo? Este espírito de perversidade foi a causa de minha completa desgraça. Foi essa insondável propensão da alma a torturar a si mesma - a violentar a própria natureza - a fazer o mal somente pelo prazer de fazê-lo - que me induziu a continuar e a levar até o fim a ofensa que tinha infringido ao inocente bichinho. Uma manhã, a sangue frio, deslizei um laço no pescoço dele e enforquei-o no galho de uma árvore; enforquei-o enquanto lágrimas caíam dos meus olhos e o remorso mais atroz torturava o meu coração. Enforquei-o porque sabia que ele me amara e porque não me dera nenhum motivo para sentir-me ofendido - enforquei-o porque sabia que estava cometendo um pecado - um pecado mortal que colocaria minha alma imortal de maneira a pô-la, se isto fosse possível, fora até do alcance da infinita misericórdia do Deus Mais Misericordioso e Terrível." 

Cheerful, hm?

Essas considerações me fazem lembrar alguns escritos na coletânea da Novo Século Eu Sou A Lenda, de Richard Matheson, que já comentei aqui no blog, que também versa muito bem sobre a bestialidade humana... é o conto que mais me impactou.

Time's up.

De resto, pareceu a mim que Poe - com o risco de estar "descobrindo" alguma pólvora - às vezes torce por finais felizes. Exigências de mercado? Em O gato preto e O coração denunciador, seus personagens assassinos agem de forma a estragar seus crimes perfeitos: a Justiça é servida. Enterro prematuro e O poço e o pêndulo trazem a salvação no último segundo. Em Descida ao Maelstrom, bem ou mal o protagonista sobrevive, ainda que sorte semelhante não pareça ter ocorrido ao de O manuscrito encontrado em uma garrafa - dois contos onde o mar é o grande inimigo. A queda da casa de Usher também não termina exatamente bem, e nos apresenta a noção da decadência espiritual dos habitantes de uma mansarda se misturando com a decadência física da moradia.

O estilo de época, para o filisteu que infelizmente também posso ser, cansa-me um pouco, com seus excessos e minúcias sobre estados emocionais - sim, Romantismo, eu sei. Mas é claro que há momentos. Os ratos fazendo a festa sobre o corpo do protagonista em O poço e o pêndulo não me deixarão dormir mais cedo - contos do torror? Missão cumprida.

Edgar Allan Poe - Contos do Terror
94 p.
Fantásticos Econômicos Newton

John Carter - Entre Dois Mundos



Ok, o que deu de errado?

No elenco, um trio parada-dura diretamente da magistral Roma, da HBO: Ciarán Hinds (o imortal Júlio César), James Purefoy (Marco Antônio) e Polly Walker (Atia dos Julii, Evil Matriarch por excelência), esta emprestando a voz para uma personagem feminina vilanesca (outra...) digital mas que, apesar de alguma relevância no livro, no filme fica completamente em segundo plano. Sob maquiagem digital estão ainda William Daefoe como Tars Tarkas e Samantha Northon como Sola, mostrando o rosto temos os vilões Dominic West (cuja carreira já valeu pelo McNulty de The Wire, outro gol de placa da HBO) e Marc Strong (Lord Blackwood do primeiro Sherlock Holmes, e ótimo vilão full-time).

Sério, um elenco desses... e tudo o que se consegue fazer é John Carter - Entre Dois Mundos? Nada contra um filme baseado neste personagem que vem da proto-ficção-científica, da mesma pena que nos deu Tarzan dos Macacos: mas algo contra este filme.

Talvez parte do prejuízo de bilheteria que a Disney amargou seja exatamente por apostarem no rosto bonito dos protagonistas, do que no talento ao redor escolhido para servir de escada para eles (coisa que dá incrivelmente certo em O Homem da Máscara de Ferro, com Gerárd Depardievski, Gabriel Byrne, John Malkovich e Jeremy Irons subalternos a... Leonardo diCaprio: mas o tempo de participação de tela é bem mais presente aqui do que os acima, isto qdo não sob maquiagem digital...).

Talvez parte seja porque, como todos os filmes acima de uma escala orçamentária, os produtores ficam nervosos e empurram fórmulas e rostos/nomes de sucesso, independente de talento ou o melhor nome para a melhor função.

Talvez parte tenha sido o fato de ser um filme da Disney, com piadinhas e bichinhos inevitáveis.

Não acho que tenha sido por qualquer purismo: a história de John Carter, e sua personalidade, estão bem modificadas, envolvendo os três primeiros livros e mais o que veio dos roteiristas. Ninguém mais sabe o que foram esses livros, não ao ponto de formar uma base de fãs irritante ou algo assim.

Eu só consigo lamentar neste filme o grande desperdício de senhores atores. Sempre ouvi falar que um diretor de animação pode dirigir um filme live action. Depois de assistir isto, tenho dúvidas. Não lembro de ter visto o desperdício de nomes assim. Não sei se porque Andrew Stanton (Wall-E) ignorou o potencial, ou o roteiro foi futucado a não mais poder, ou o quê...

No final das contas, é apenas um filme mediano. Que custou um quarto de bilhão de dólares e, mundo, arrecadou somente pouco abaixo de 283 milhões.

(Por último: de bomba em bomba, os protagonistas Taylor Kitsch e Lynn Collins também participaram de X-Men Origins: Wolverine, como Gambit e Silverfox: alguém precisa de um agente melhor).

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Frankenstein ou o Prometeu Moderno


Frankenstein ou o Prometeu Moderno - Editora Nova Fronteira (2011)

Já foi dito que, se Julio Verne e H. G. Wells foram os pais da Ficção-Científica, Mary Shelley foi a mãe.

A moça em questão escreveu Frankenstein ou o Prometeu Moderno, que acabei de ler pela primeira vez. Mil coisas na cabeça... a primeira sendo: esqueçam os filmes, a viagem do livro é uma própria. Como bem me disseram, talvez seja a diferença entre "baseado em" e "inspirado por". Os elementos que se associaram ao imaginário popular se deve aos filmes da Universal, onde em um castelo isolado um cientista desprezado pelos seus pares, tendo como único assistente um corcunda abrutalhado, desafia o que ele chama de convenções engessadas contra o progresso da Ciência e, em uma noite tempestuosa usa os relâmpagos para reanimar um corpo composto de diferentes cadáveres, em uma das mais antológicas cenas do cinema. Seu sucesso acaba se tornando sua ruína.

A ruína e a eletricidade estão presentes. Mas, salvo a solidão, esqueçam o resto. Pode ser um pouco decepcionante: anos atrás eu lera O Diário de Frankenstein (1980), que se baseia mais no universo composto do cinema do que na obra de Shelley. Todas as referências vão pelo cinema, onde quer se vire - mesmo o filme com Robert deNiro toma suas liberdades.

Não este Frankenstein.

Então, privado do histrionismo eletrodinâmico, castelos decrépitos e turba enfurecida, o que nós temos?

Uma história sensacional, com diversas possibilidades de leitura e interpretação.

Existe um fascínio todo próprio, ao meu ver, na figura de Frankenstein - Victor, não a Criatura, esta nunca teve um nome, na verdade - enquanto homem de Ciência. É contado como ele, jovem, deixa-se inspirar pelos livros de filosofia natural de Cornellius Agripa, Paracelsus e Albertus Magnus: sábios medievais que, apesar da falta de tecnologia da época, nunca deixaram de investigar fenômenos naturais, ponderando sobre o que causava, recheando as explicações que davam com uma boa dose de observação, intuição e tremenda imaginação.

Ao prosseguir para a Academia, Victor se vê despojado de seus heróis do conhecimento, ao ser ridicularizado por um dos professores, enquanto que outro, mais atento às sensibilidades e sede por conhecimento, orientou-lhe mais gentilmente no Bom Caminho. Já havia tido uma certa perda de fé anterior, quando um relâmpago destrói um grande carvalho próximo de onde morava, e o fenômeno foi-lhe devidamente explicado por um naturalista mais atualizado em como o mundo funcionava; Victor mergulhou em seus estudos, fascinado pela ideia da relação entre tecidos animados e galvanização. Dado o tempo e obsessão no que acaba se envolvendo, ele acaba criando sua forma de vida particular.

É essa transição entre o mago e o cientista, para mim, um dos aspectos mais fascinantes do livro. No Século XVIII, a Ciência mais e mais se calcava em fatos obtidos através de experimentações, ao invés de observação e especulação dos períodos anteriores: a tecnologia havia progredido, para tal. E eu acho que Victor Frankenstein desempenha estes dois papeis.

Victor, o cientista, aprende a instrumentação e inteira-se sobre o mundo da Química qual havia na época, em que sua educação superior podia ter acesso. Em nenhum momento ele discute teorias radicais - como, nos filmes, é dado a crer - com seus pares, nem é expulso da Academia. Entretanto, Victor, o mago, o discípulo dos filósofos naturalistas do passado, que em sua adolescência chegou a tentar evocar espíritos e realizar rituais, consegue o impossível.

Boris Karloff: icônico, se por mais nada.

Uma coisa que notei foi a presença de diversos cenários naturais ao longo da história. Penso se não há  outra dualidade presente aqui: a Natureza é retratada como eco do estado de espírito dos personagens, tanto na alegria quanto na tristeza, e sobretudo, na solidão (há uma ótima passagem assim logo antes de Victor reencontrar Criatura em Genebra, onde a majestosa vastidão ao seu redor ecoa em sua solidão, elevando seu espírito).

Da mesma forma, ela é retratada tanto em sua beleza (os lagos e montanhas suíços) quanto em sua fúria (as vastidões geladas e traiçoeiras do Pólo Norte), mas mesmo na pior tempestade, de alguma forma ela pode vir a ser fonte de inspiração: mas quando se cruza certos limites, e força-se o controle das leis Naturais a um tal ponto, as coisas realmente ficam feias.

Futurama nails it again.

Em um terceiro ponto, parece notar que a vida natural, sob um certo ponto, é mais saudável, mais feliz. Conhecimento obtido gera angústias, dor e inquietações: Frankenstein era feliz com seu pseudo-aprendizado científico, e a Criatura não sabia o quão miserável realmente era até se ilustrar, e as interações fracassadas com a Humanidade minam-lhe a índole e a boa vontade. Está aí, vejo eu, o debate nature x nurture, ou: o Homem é bom, por natureza? A vivência o corrompe? Ou a medida está entre algo instalado na ROM de cada um e as escolhas que se faz, dia a dia?

Apesar de um tom sombrio que o romance lança sobre a Ciência, é dito que Mary Shelley era bastante otimista sobre o assunto, ainda que desaprovasse o que ela via como excessos de cientistas, isoladamente. Dentro da alusão mitológica de Prometeu, o titã que deu o fogo à Humanidade, há ainda relacionado a ele Pandora, a primeira mulher, que em uma caixa trazia todos os males do mundo: havendo sido aberta, os males escaparam, mas a tampa foi fechada a tempo de conter a esperança, ou ainda, a providência, a capacidade de raciocinar sobre o futuro, causas e consequências. Omitir-se ou renegar, qual o que Frankenstein fez com sua paternidade, não é opção.

E isso vale em qualquer época.

Frankenstein ou o Prometeu Moderno
248 p.
Editora Nova Fronteira - Coleção Saraiva de Bolso.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Os Dentes do Inspetor

Os Dentes do Inspetor - Editora Francisco Alves (1976)


Terminei de ler Os Dentes do Inspetor, em edição de 1976 da saudosa Francisco Alves através de sua coleção Mundo Fantástico. A edição brasileira foi dividida em dois volumes, seguindo-se a este Os Construtores de Continentes. O original (1953) se chama The Continent Makers (and other tales of the Viagens).

Foi o primeiro livro de L. Sprague de Camp que li. O otimismo da FC daquela época está presente, onde o mundo, apesar de uma III Guerra Mundial, triunfou e se lançou ao espaço, encontrando raças alienígenas para contactar e negociar. Há uma peculiaridade aqui, com os EUA e URSS, após a conflagração, terem perdido o status de grandes potências (Europa nem é citada), e quem dá as cartas na Federação Mundial é nenhum outro que... o Brasil. Nomes e expressões em brasilo-português são apresentados ao longo dos seis contos deste volume, e revertendo mentalmente o texto original para o inglês, parece que ficou bom. Isaac Asimov apresenta o volume, e garante que o autor é um pesquisador fanático. Pois, pois. Não deixa de ser uma concepção engraçada.

Os contos vão do ano 2.054 até 2.148, abarcando dois sistemas solares vizinhos com meia dúzia de planetas habitados com suas raças próprias. Os dinossauros inteligentes de Osíris, Prócion, contrastam com os semi selvagens dzlierianos, uma raça de aspecto centauroide habitando Vishnu, um dos três mundos ao redor de Tau Ceti. 

E nesses cenários exóticos, ao invés de contar feitos heroicos de seres Humanos em ambientes semi desconhecidos, as narrativas se focam em presepadas e pequenos golpistas querendo tirar alguma vantagem de alguém em algum dado momento. É montada uma pequena galeria de adoráveis - ou nem tanto assim - patifes, refletindo um fenômeno típico americano, o pequeno empreendedor, small-time hustler, que gera lucros a partir de fontes não muito lá éticas ou salutares, triunfando (ou tomando corridas homéricas) em territórios onde leis e regulamentações ainda não estão exatamente claras - ou, se estão, não é nada que os impeça (o meu favorito é o monarca que desenvolve um esquema para importar tecnologia restrita para o seu reino, envolvendo a múmia de um rei ancestral - não dá pra antipatizar totalmente com o cara!). E, se é que não aparece no segundo volume, só falta um comerciante de tônico das mil maravilhas produzido sabe-se lá como em uma banheira, viajando de carroção puxado por bois, de vilarejo em vilarejo...


... e não, é o caso de "só podia dar nisso com brasileiro nas estrelas", e de Camp não antecipou a Lei de Gérson em 30 anos. Francamente.

O livro tem um quê de FC "mais antiga", não sei se a tradução ajuda a denotar isto, e pareceu-me que o autor não era exatamente alguém de maiores estilos. Mas é bem divertido, e espero conseguir obter a continuação em breve.

Os Dentes do Inspetor
144 p.
Editora Francisco Alves

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Antologia "Super-Heróis": os autores escolhidos.

Finalmente pudemos eu e Gerson Lodi-Ribeiro concluir a seleção de contos para a antologia "Super-Heróis". Parabéns a eles, e nosso agradecimento a todos os participantes. Segue o link para comentários a mais, a relação está abaixo. 


“Edição de Colecionador” (Romeu Martins);
“Novo Herói na Cidade” (Alex Ricardo Parolin);
“Ascensão e Cancelamento do Mais Infame Supergrupo de Heróis da Terra” (Pedro Vieira);
“Roda-Viva” (Gustavo Vícola);
“O Dia de Todas as Provas” (João Rogaciano);
“Herói das Urnas” (Roberta Spindler);
“O Doutor e o Monstro” (Gerson Lodi-Ribeiro);
“A Última Aventura do Pardal Mecânico” (Dennis Vinicius);
“O Grande Golias” (Luiz Felipe Vasques);
“Pela Terceira Idade” (Inês Montenegro);
“Sete Horas” (Gian Danton);
“Barlavento 1807” (Vitor Vitali);
“A Verdade sobre Raio Vermelho, uma Biografia” (Lucas L. Rocha); e
“Jaya e o Enigma de Pala” (Antonio Luiz M.C. Costa).

Não vou dizer que é meio bizarro ver meu nome de repente aí no meio.

O trabalho ainda não acabou. Estaremos fazendo a primeira revisão dos textos ainda esta semana.

Já comentei que estou achando tudo uma farra? Pois.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Divulgações...

Farol do Espaço Profundo é o primeiro livro de Ficção-Científica de Roberto C. Belli. Parabéns pela conquista!

Tem Ana Cristina Rodrigues na Amazon, com seu Maria e a Fada! Segue a lista onde ela e outros autores publicados pela editora Draco já têm seus escritos no formato ePub.

E mal é Fevereiro! :)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Dieselpunk - Arquivos Confidenciais de uma Bela Época

Dieselpunk - Arquivos confidenciais de uma bela época, editora Draco (2011)

Terminei a coletânea Dieselpunk - Arquivos confidenciais de uma bela época, da editora Draco.

Dieselpunk, para os não-iniciados, é um sub-gênero dentro da Ficção Científica que escolhe como época a primeira metade do Século XX, seguindo-se ao Steampunk, focalizado na Era Vitoriana, a Revolução Industrial e o impacto da tecnologia da época. O dieselpunk reflete o entre-guerras e a ascensão do motor a combustão e o uso do petróleo ao invés do carvão como base da indústria. Dirigíveis, muito art deco, aviões à hélice mas a nova era se anuncia, com mochilas-foguete e mesmo pistolas de raios - qualquer semelhança com o filme SkyCaptain and the World of Tomorrow não é mera coincidência.

Com 9 contos e quase 380 páginas, este pequeno tijolo de literatura fantástica é uma "continuação temática" da coletânea steampunk da mesma Draco, em 2010, chamada Vaporpunk - Relatos steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades. Não li esta ainda, mas pelo resultado da Dieselpunk, fiquei realmente curioso para ler.

O nível das histórias é surpreendentemente... denso, para dizer o mínimo. Não se trata somente de literatura de entretenimento, como poderia se esperar, embora ação e aventura certamente estejam lá. Mas há, claramente, duas vertentes - em que nenhuma escolha pese para desmerecer uma ou outra, percebam, ou estancá-las de uma maneira binária: as histórias são ótimas -, uma puxando mais para o lado da ação e outra nem tanto. Um show à parte são as ambientações criadas para estas histórias, onde não só a tecnologia, mas a História e a sociedade divergiram bastante, também.

Modo geral, sem apontar dedos, parece-me que a tentação em mostrar ora a pesquisa feita, ora o trabalho de world-building, para que o leitor entenda e participe do tesão que foi montar estas histórias pode acabar por ameaçar o fruir do que é contado.

A Fúria do Escorpião Azul, de Carlos Orsi, abre o livro com uma história de ação e espionagem, com um protagonista-título nos moldes dos vingadores mascarados como o Sombra, Spyder, etc., que permeavam os folhetins americanos de 70-80 anos atrás. Passado em um Brasil onde a revolução comunista se deu, envolve pesquisas extra-sensoriais soviéticas e o sequestro de bebês... para fins inomináveis!

Grande G, de Tibor Moricz, fala sobre duas cidades imaginárias, uma movida a diesel e outra a vapor, em constante conflito, quase como imaginando as duas vertentes - steampunk e dieselpunk - dialogassem em maus termos.

Impávido Colosso, de Hugo Vera, conta uma história de guerra - tema inevitável para o gênero e o livro - entre Brasil e Argentina, com nuestros hermanos nos invadindo com exércitos de robôs teleguiados e nós resistindo com colossais robôs tripulados!

Cobra de Fogo, de Sid Castro, é dos meus favoritos. Em um mundo pós-Grande Guerra, os conflitos internacionais são mediados pela Liga das Nações, e resolvidos por corridas intercontinentais utilizando gigantescos veículos chamados locomotivas, capazes inclusive de voar à maneira dos ekroplanos. A história em si é sobre a disputa da Região Amazônica, reivindicada para ser uma área internacional pelos países, ponto contestado prontamente pelo Império Brasileiro. Cabe à tripulação da M'Boitata defender nossas cores. Eu não sei quanto aos demais leitores nem quanto ao autor, mas esta história de corrida intercontinental com carros estrambóticos e um pano de fundo político não me é mais nada senão que Speed Racer - e aqui, feita com carros-mamute! Sensacional! Destaque para o sombrio Primeiro-Ministro do Império, o Conde de São Borges... Getúlio Vargas.

O Dia em que Virgulino cortou o Rabo da Cobra Sem Fim com o Chuço Excomungado, de Octavio Aragão, aqui retrata um encontro que não houve na História: Virgulino Ferreira, mais conhecido como o rei do cangaço Lampião, e Luis Carlos Prestes, em plena marcha de sua Quinta Coluna. Estes dois e outros personagens históricos são apresentados, sendo que, até o encontro, pessoas e coisas estranhas acontecem, decidindo eventos que podem afetar o Brasil... e o mundo.

O País da Aviação, do meu camarada antologista Gerson Lodi-Ribeiro - e organizador desta coletânea -, é mais um de seus escritos de História Alternativa, partindo do princípio desta vez que o engenheiro norte-americano Robert Fulton, ao contrário da vida real, consegue vender seu motor a vapor para Napoleão Bonaparte, inaugurando uma nova fase da Marinha décadas antes do suposto, mudando o destino da decisiva batalha de Trafalgar. A Hegemonia Europeia se estabelece, e expande-se pelas Américas. O conto salta pelas décadas do processo (contado em datas da Revolução Francesa), e em dado momento mostra o encontro dos Pais da Aviação: os irmãos Wright, Santos Dumont, - e os menos conhecidos - Otto Lilenthal e Karl Jatho sob uma mesma bandeira.

Ao perdedor, as baratas, de Luiz Antonio M. C. Costa, trabalha pelo lado da conspiração política, em um cenário histórico revirado ao avesso, em que no panorama ideológico mundial, consta um predomínio holandês, e não inglês, versus uma monarquia dos trópicos que se vê obrigada a aceitar a diversidade étnica e cultural - simbolizada em um casal inter-étnico de personagens, união repudiada ocultamente pelo protagonista, um agente secreto que irá causar um evento capaz de transformar o mundo. Filosofia, política, sociedade, Kafka e Lovecraft são discutidos ou apresentados na trama, montando um dos mais complexos cenários presentes no livro.

O Auto do Extermínio, de Cirilo S. Lemos também trabalha com monarquias claudicantes e conspirações políticas, loucura, espionagem, tiroteio, robôs e ação. É o fim dos dias de Dom Pedro III (baseado no Príncipe Pedro Augusto de Alcântara, personagem da vida real, retratado no livro O Príncipe Maldito - Loucura e Traição na Família Real, da historiadora Maria Lúcia del Priore), e o Brasil vive um clima tenso politicamente, com Integralistas de um lado e Socialistas do outro esquentando o panorama, à espera da apresentação do herdeiro real - uma possibilidade que ninguém deseja. É um conto muito interessante, com toques místicos envolvendo a loucura presciente do protagonista.

Só a morte te resgata, do português Jorge Candeias, talvez seja a mais madura das obras apresentadas. Levanta uma questão interessante: se o lar é onde está o coração, o que pode ocorrer quando seu coração não está em lugar algum? Encerrando o livro com um tom melancólico, apesar do mundo alternativo apresentado, conta a história de um piloto de biplanos de guerra, após sua unidade ter sido massacrada no meio do deserto, tentando voltar para casa, lançando mão de recursos pouco honrados, até o retorno. De certa forma, este retorno é tão solitário quanto seus voos.

Em suma, ótima e criativa leitura. Parabéns aos envolvidos!
Editora Draco

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Antologia SUPER-HERÓIS

Pois é. Virei antologista.

Uma empreitada completamente nova para mim, em uma ideia junto à editora Draco e ainda de quebra tendo meu prezadíssimo Gerson Lodi-Ribeiro a bordo.

A Draco, para quem não conhece ainda, especializou-se em seus já dois anos de existência, em coletâneas de literatura fantástica, ficção científica e suas variantes.

Seguem as guidelines, presentes no blog do Gerson e no da editora. Divulguem, divulguem... :)

Antologia SUPER-HERÓIS
Guidelines


O.k., nem todo mundo curte os filmes e quadrinhos de super-heróis. Porém, se você gosta de escrever literatura fantástica e não se inclui nessa minoria, gostaríamos de convidá-lo a submeter um conto para apreciação na antologia que estamos organizando para a Editora Draco, cujo título provisório (imaginativo) é Super-Heróis.

Nossa proposta é organizar uma antologia de contos bem escritos que abordem as aventuras de super-heróis de forma criativa, original e preferencialmente com tempero lusófono. Tanto faz se seu herói é humano ou alienígena, se possui superpoderes ou não, se é um bom sujeito ou nem tanto — embora, em princípio, prefiramos que nossos autores deixem os vilões do tipo sociopata mascarado para uma eventual Super-Heróis II: Supervilões. Tampouco importa se você mostrará a gênese do seu herói ou se ele cairá de paraquedas no meio de uma grande aventura. O importante é que seu(s) protagonistas sejam psicologicamente bem delineados e que suas aventuras / desventuras constituam uma leitura instigante e divertida.

Fanfiction? No que se pese ser difícil reinventar a roda, no quesito originalidade, não desejamos receber fanfictions. Nada contra trabalhos escritos por fãs para homenagear seus heróis favoritos no âmbito amador dos blogues e e-zines. Contudo, no âmbito profissional, a história é outra. Daí, no intuito de evitar a possibilidade de nos tornarmos (autores, antologistas e editores, não necessariamente neste ordem) réus em processos judiciais movidos pelos detentores legítimos dos direitos autorais sobre super-heróis criados por terceiros, incentivamos com empenho os autores que pretendem participar deste projeto a criar seus próprios heróis em vez de “tomar emprestado” personagens da Marvel, DC ou outras empresas. Para evitar riscos desse gênero, rejeitaremos pronta e inapelavelmente sem apreciação do mérito literário qualquer trabalho que nos pareça fanfiction.

Tamanho: Desejamos apreciar trabalhos entre 3.000 e 12.000 palavras. Isto não significa que submissões fora deste intervalo serão sumariamente rejeitadas. Se o conto analisado possuir qualidade literária e se enquadrar na temática proposta, essa qualidade será considerada em nossa apreciação, mesmoque o texto seja menor ou maior do que o limite proposto. Noentanto, a bem da sinceridade, deixamos claro que apreciaremoscom maior simpatia trabalhos dentro do intervalo referido.

Filosofia de trabalho: Analogamente, gostaríamos dereceber trabalhos criativos e originais cujos enredos mostrassem heróis ou super-heróis inseridos direta ou indiretamente na cultura brasileira e/ou portuguesa, mostrando o impacto socialda existência e das proezas desses personagens e de seus superpoderes nessa cultura. Não se trata de uma exigênciaestrita. Trabalhos que nada tenham a ver com o Brasil ou comPortugal serão apreciados com a atenção devida e poderão sereventualmente aceitos. Porém, cumpre frisar nossa predileçãopor contos lusófonos de corpo (i.e, escritos por autoresportugueses e brasileiros) e espírito (enredo, personagens, ambientação lusófonos).

Deadline: 31 de março de 2012.

Data de lançamento (provável): Fantasticon 2012.

Eis aqui a oportunidade ímpar do autor lusófono de literatura fantástica criar seu próprio super-herói e imortalizá-lo nas páginas impressas da Super-Heróis.

As submissões devem ser enviadas apenas em versão eletrônica, formato rich text file (.RTF), para os e-mailslfvasques@gmail.com e glodir@unisys.com.br, com cópia de segurança para o e-mail ericksama@gmail.com. Confirmaremos a recepção de todos os trabalhos recebidos.

Dúvidas? Não hesite em contatar os seus antologistas de plantão.

Gostaria de discutir sua trama ou linha de enredo conosco? Não se acanhe. A casa é sua! Estamos aqui para isto.

Aguardamos ansiosamente a submissão do seu trabalho.

Luiz Felipe Vasques & Gerson Lodi-Ribeiro (antologistas)

Erick Sama (editor).

Setembro de 2011.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Paul




Assisti Paul ontem, ótima comédia de ficção-científica. Numa sinopse, dois nerds ingleses em um grande tour "temático" pelos EUA - da Comic Con à Roswell, por exemplo - encontram um alienígena fugitivo da Área 51.

As situações são engraçadíssimas, o elenco é ótimo com vários rostos conhecidos, e situações clichês típicas, fora a impressão que metade do roteiro foi escrito com falas clássicas dos filmes do gênero. Mais uma variante da temática nerd, mesmo ao ponto de uma certa metalinguagem.

O filme é protagonizado e escrito por Simon Pegg e Nick Frost, de Hot Fuzz e o impagável Shaun of the Dead.

Sendo uma produção americana, e por ter tantas referências, achei que faltou uma certa acidez britânica como, por exemplo, dos dois filmes citados. Mas é muito legal, mesmo assim.

Apenas cuidado ao procurar o trailer no youtube ou algo assim, ele entrega muitas piadas.

sábado, 16 de julho de 2011

Trailer de John Carter de Marte


Uma obra dos primórdios da ficção-científica, com um personagem capaz de dar grandes saltos e ter força elevada devido à baixa gravidade do planeta onde ele chega - Superman? Não, John Carter de Marte, por Edgar Rice Burroughs - o mesmo criador de Tarzan dos Macacos.

No Brasil, Uma Princesa de Marte, o primeiro livro com o personagem, saiu pela editora Aleph.

Gostei do trailer.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Artigo de Lúcio Manfredi...

... diretamente de seu ótimo blog (na coluna ao lado, Epistemonike Phantasia), sobre "Que diabos é a tal da New Space Opera?", em três partes. Primeira, segunda e terceira.

Uma ótiima análise, cheia de dicas de leitura pelo caminho, esmiuçando as origens da designação e o que a leva atual de autores faz para enriquecer o subgênero e, fatalmente, a Ficção-Científica como um todo.

Pessoalmente, se Hyperion Cantos, muito bem citada no artigo, sair algum dia no Brasil, já me darei por satisfeito.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mortal Engines

Mortal Engines, ed. Novo Século (2011)

Li Mortal Engines, de Phillip Reeves, na edição brasileira pela Novo Século.

O livro se passa em um futuro distante, na Terra, onde uma série de catástrofes, naturais e a tal "Guerra dos Sessenta Minutos", que no mínimo usou artefatos nucleares, redesenhou a face da Terra, fazendo com que muito de civilização tenha-se perdido. O que restou da mesma reorganizou-se em "cidades tracionadas", habitats com edificações sobre motores e gigantescas esteiras rolantes, indo até as fontes de suprimentos quando necessário - dentre as quais, destacando-se outras cidades móveis.

É a era do "darwinismo municipal", onde as cidades se devoram umas às outras, atrás de recursos e escravos, para que a sociedade sobre suas esteiras possa continuar funcionando. Assim é Londres, onde o livro começa, uma das maiores cidades tracionadas, com diversos conveses dando-lhe uma forma piramidal, que também reflete o status social de seus habitante, com a elite vivendo nos níveis superiores em luxuosas villas, e o operariado próximo ao barulho, calor e gases dos motores e esteiras. Londres, nestes tempos de escassez, vive faminta.

É uma maneira interessante de se repensar as cidades, o termo "ser urbívoro" surge, e foi uma ótima sacada. Há um conto original para toda esta história (com algumas pequenas discrepâncias entre ambas as obras) chamado Urbivore. Para quem já pensava nas cidades como organismos vivos de alguma forma, bem... agora elas se movem.

Mulher, pegue as crianças e entre no dirigível - Londres vem aí, e está faminta.

Phillip Reeve compôs algo com imagens vívidas. Eu facilmente imagino não um filme - Peter Jackson está interessado -, mas uma animação, aliás japonesa. Tem horas que pareço estar lendo um animê - e não, não estou denegrindo. Metrópolis, a versão de Katsuhiro Otomo, particularmente me ocorre. Cabe, entretanto, alertar que essa é uma obra mais para um público juvenil, caso haja interessados nesta distinção, para comprá-la ou evitá-la.

E a história? Direto ao ponto. O protagonista é Tom Nateworthy, um jovem órfão insatisfeito com seu trabalho tedioso como Terceiro Aprendiz de Historiador, sonha com aventuras, sendo arremessado de forma cruel contra aquilo que sempre quis. No caminho, encontra pessoas diferentes do que já se acostumara dentro de Londres, tipos folclóricos, com histórias, propósitos e dores variadas, além do que, no final das contas, era sua grande "zona de conforto". Os demais personagens são muito interessantes tendo ótimas descrições (Anna Fang e Thaddeus Valentine são larger-than-life), e o que chegam a sugerir sobre si mesmos apenas aumentam a sensação de já se vê-los, em filme ou animação. Tom é de uma generosidade inquebrável, junto de uma teimosia típica de quem se decepciona com o mundo que o trai ao redor, mas ainda assim, persiste. Os demais personagens já têm suas próprias histórias, Tom chega a ser quase passageiro na dos outros, ajudando (às vezes a contra gosto) como pode - destaque para Hester Shaw, aliás -, ao invés de ser o real protagonista para onde todas as histórias convergem.

Não há um segundo de descanso em sua viagem, salvo quando passa algum tempo capturado, até que algo - inesperado - aconteça e ele se ponha em marcha novamente. A trama segue por cenários inventivos e detalhados, a poderosa imaginação de Reeve segue a todo vapor, até um final apoteótico.

Agora, fica aqui um puxão de orelha. Só lamento o fato que a Novo Século, qual com Eu Sou a Lenda, continua marcando bobeira com a tradução e a revisão, e dessa vez os erros foram em maior quantidade do que neste outro livro, que comentei ano passado. Novamente, merecia um cuidado maior. Não me parece que "Salvamento" seja a melhor opção para o termo Salvaging (Recuperação poderia funcionar melhor), mas definitivamente skeleton crew não é uma "tripulação de esqueletos" (p. 278). Termos deixados em inglês talvez para uma segunda revisão - ou mera falta de vocabulário? Fora termos que ora aparecem em inglês, ora em português. E a construção de pelo menos um parágrafo estava truncada. E como isto tudo não bastasse, o próprio português: a caUda de um animal não é a caLda de pêssego (p. 24). E oblíquo não deveria começar um texto formal... espero que em edições futuras isto possa ser melhor tratado.

Até porque, Mortal Engines é parte de uma tetralogia. Segurem-se, pois aí vem mais!

279 p.

Atualizações 28/05: para mais resenhas de Mortal Engines, há as ótimas escritas por Romeu Martins e no Café de Ontem.

domingo, 22 de maio de 2011

Caprica


Assisti os 17 episódios da única temporada de Caprica, série originada do remake de Battlestar Galactica, mostrando um pouco do mundo das doze colônias, passando-se 58 anos antes do ataque fulminante dos cylons.

É um formato bastante diferente da série original, não se passando em pleno espaço, mas antes em terra, em uma sociedade "intoxicada pelo sucesso", como foi dito na Wiki da série.

Isto tira a "ação espacial" e gera uma história que lembra séries como Dallas ou Dinastia, com o conflito de interesse dos ricos e poderosos levando a situações extremas e letais. Também há uma pequena dose de teen angst e, ainda, a concepção de moderno/avançado é apresentado com elementos retrô, para se referenciar no passado de BSG, em um efeito semelhante da Gotham City de Batman: The Animated Series.


Tudo isto e um roteiro por vezes com a impressão de truncado (especialmente na segunda parte da série, depois do intervalo da produção) podem afastar fãs potenciais, especialmente dos que apreciam mais o formato mais direto ao ponto da série de onde Caprica se originou (para tal, Blood and Chrome vem ai).

Ao situar a história tantas décadas antes, a idéia era mostrar como tudo começou: traços de personalidade dos cylons, a questão do monoteísmo x politeísmo e o fanatismo religioso + terrorismo, como robôs passam a ser psicóticos religiosos, as tensões entre os oriundos das diversas colônias (e, de quebra, a infância de Bill Adama, comandante da própria Galactica na série de 2004-2009 -- ok, houve aqui uma pequena trapaça, mas eu compreendo), etc.

Não sei se me esqueci ou não entendi algumas coisas, mas talvez alguns pontos entre ambas as séries, em termos de continuidade, tenham ficado não em aberto, mas conflitantes. Mas realmente não me incomoda, neste caso em específico.

A interação e as possibilidades de um mundo virtual (também presentes em um outro piloto de série não-relacionado com este universo do mesmo produtor, Virtuality - resenha minha aqui) são bastante exploradas na série, não somente sobre qual ambiente ser real ou virtual, mas se uma pessoa inteiramente digital pode vir a ser considerada real; tudo passando por com implicações de crença e manipulação religiosa.


Aproveita e faz um pequeno retrato dos EUA, em sua incessante paranóia com terrorismo, o lidar com outras etnias: o personagem de Daniel Greystone, nativo de Caprica, é o próprio WASP, os de Tauron são uma mistura de árabes (no sentido mais étnico, não religioso), gregos e mesmo sicilianos, especialmente por seus laços com crime organizado e fortes tradições familiares.

O elenco é muito bom, com Eric Stoltz finalmente aparecendo em mais do que cinco minutos de tela. Há ainda Polly Walker, a eterna Atia dos Julii em Roma.

Eu só tenho a lamentar que divergências criativas com o SyFy Channel encerraram uma das mais interessantes séries de ficção-científica que eu já vi. Havia muito, muito mais a ser explorado, um universo riquíssimo apresentado em um formato de programa que está longe da space opera ou do investigativo-paranormal em que parece se dividir a FC na televisão hoje em dia. Acho que veremos mais deste híbrido pela próxima década, talvez Caprica seja meio groundbreaking neste ponto, e pagou o preço por ser novidade.

Recomendo.

SpaceBlooks 2011 - Release Oficial

Com curadoria de Octavio Aragão, doutor em Artes Visuais (UFRJ) e professor da Escola de Comunicação da UFRJ, a segunda edição do encontro traz a cidade, de novo, para o centro do universo de alienígenas, mundos paralelos e fenômenos inexplicáveis que conquista uma crescente legião de fãs.

Este ano, o SpaceBlooks ganhou mais uma noite e um convidado internacional: Rob Shearman, escritor britânico vencedor do World Fantasy Awards, finalista do prestigiado prêmio Hugo, e um dos roteiristas da série cult britânica Doctor Who.

"A maior parte dos seriados tem seu pé bem plantado em conceitos de Sci-Fi, vide os fenômenos Lost, Heroes, Fringe e The 4400... Ter um roteirista do gênero e escritor premiado falando sobre seu processo de trabalho na TV inglesa será um presente para todos nós", comemora Aragão.

A programação inclui Lúcio Manfredi, de Dom Casmurro e Os Discos Voadores (Leya), e Pedro Vieira, de Memórias Desmortas de Brás Cubas (Tarja Editorial) - autores de mashups que ousaram lançar mão de obras do "bruxo do Cosme Velho" em romances polêmicos, que mexeram com o panorama literário no final do ano passado. Além deles, Gerson Lodi-Ribeiro faz a noite de autógrafos do seu A Guardiã da Memória (Draco), no terceiro e último dia do evento. A Draco aproveita e lança, também, Space Opera, antologia com textos de diversos autores brasileiros sobre naves espaciais, alienígenas e armas futuristas.

Data: 30 e 31/05 e 01/06, às 19h. Local: Blooks Livraria - Praia de Botafogo 316, Botafogo (Unibanco Arteplex) - (21) 2559-8776 / Grátis.

facebook.com/blookslivraria & twitter.com/Blooks

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Selecionados da Coletânea 'Dieselpunk'

Do blog de Gérson Lodi-Ribeiro, eis os participantes:

  • “Ao Perdedor, as Baratas” [Antonio Luiz da Costa];
  • “Auto do Extermínio” [Cirilo Lemos];
  • “Cobra de Fogo” [Sidemar Castro];
  • “O Dia em que Virgulino Cortou o Rabo da Cobra sem Fim com o Chuço Excomungado” [Octavio Aragão];
  • “A Fúria do Escorpião Azul” [Carlos Orsi Martinho];
  • “Grande G” [Tibor Moricz];
  • “Impávido Colosso” [Hugo Vera];
  • “Pais da Aviação” [Gerson Lodi-Ribeiro]; e
  • “Só a Morte te Resgata” [Jorge Candeias].

Parabéns aos escolhidos!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Spaceblooks 2 confirmado

do site da Livraria Blooks:

Fãs da ficção científica, peguem sua agendas! O Spaceblooks está de volta! Nos próximos dias 30 e 31 de maio, às 19h a Liga Galáctica estará de prontidão para receber o evento que está mexendo com o cenário sci-fi do Rio de Janeiro.

O Spaceblooks foi criado em 2010 para abrir um espaço, no Rio de Janeiro, para a discussão da literatura de ficção científica, mas também de suas conexões com o cinema, a televisão e outras tantas mídias. Com produção Blooks e curadoria do nosso parceiríssimo Octávio Aragão, abrimos novamente a pauta de bate-papo, para fazer do Rio outra vez centro das atenções nos universos de alienígenas, mundos paralelos e fenômenos inexplicáveis.

Vamos agora aos participantes dessa nova edição:

  • Lúcio Manfredi, escritor e roteirista. Autor de Dom Casmurro e os Discos Voadores (Lua de Papel, editora do grupo Editora Leya);
  • Pedro Vieira, escritor. Autor de Memórias Desmortas de Brás Cubas (Tarja Editorial);
  • Robert Shearman, escritor e roteirista do clássico seriado da TV inglesa Doctor Who;
  • Estamos confirmando a participação virtual de Kim Newman, jornalista, crítico e escritor inglês, autor de Anno Dracula (Aleph).

Nas próximas semana vamos preparar muito material aqui no blog sobre o Spaceblooks e suas reverberações no tempo-espaço. Acompanhem a gente estejam conosco nos dias 30 e 31. São nossos convidados e contamos com a presença de vocês! Aguardem mais sinais do espaço exterior!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Filmes Brasileiros de Ficção-Científica

E um blog dedicado a isto, ora, quem diria! Já na coluna ao lado.

Rapaz, como tem coisa!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Space Blooks 2

Space Blooks foi o nome do evento, ano passado, de alguns dias de palestra na livraria Blooks, situado à praia de Botafogo, 316, no Unibanco Arteplex, com o tema de Ficção-Científica e pondo nomes nacionais envolvidos com literatura fantástica.

O organizador, Octávio Aragão, twitou d'alguns dias atrás sobre o evento, este ano (aliás, maneiro, não sabia que dava pra obter este efeito):

Octavio Aragão
E as datas: 30 e 31 de maio. Formato diferente do ano passado.
Octavio Aragão
Já adianto os temas: Mashup, Alta Fantasia e New Weird.
Octavio Aragão
Em casa. Daqui a pouco começo a enviar os convites para os participantes do