terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Ad Vitam


SPOILERS ABAIXO.

Ad Vitam é uma série francesa de 2018 de FC e mistério policial, passando-se aproximadamente daqui a cem anos.

A TV inglesa já vinha nos dando séries "near future" há algum tempo: Years and Years é de 2019 e vai até os próximos 15 anos e fala da ascensão da extrema direita no país, enquanto que Humans (refilmagem de um original sueco) parte do princípio que andróides são uma tecnologia pronta e implementada na sociedade.

A sinopse do IMDB diz que

Em um futuro onde a tecnologia de regeneração permite humanos viverem indefinidamente, um policial e uma jovem problemática investigam uma estranha onda de suicídios juvenis.

Ou seja, a influência sobre a sociedade é essa tecnologia que permite um tipo de juventude eterna. Ela já está estabelecida, e é celebrada: logo no primeiro capítulo, temos flashes de como é esse mundo, onde o aniversário da pessoa mais idosa do mundo - uma mulher - é comemorado planeta afora, ao completar 161 anos de idade.

É uma sociedade aparentemente estável, pois o tratamento para a juventude é garantido a todos e a base da pirâmide social não parece apresentar pobreza em massa. A morte é uma ocorrência rara e desagradável, com cemitérios sendo desmanchados por falta de uso e de visitas.

A descoberta em 1998, no mundo real, das propriedades de rejuvenescimento de uma espécie de água-viva, a Turritopsis nutricula (a espécie em si havia sido catalogada já em 1848), leva à descoberta, na ficção, de uma variante chamada Turritopsis draculea, que é de onde o fenômeno é finalmente decifrado e convertido em um bem para a Humanidade.

A descoberta dessa água-viva (há uma intercambialidade aqui entre água-viva e medusa, mas deixemos como está) foi tão importante que, quase cem anos depois, ela é um marco cultural. Sempre há alguma menção, desde a primeiríssima cena do primeiro episódio, hologramas, etc.

Trailer de Ad Vitam.

Ao mesmo tempo, está a dias de acontecer um plebiscito que irá impor uma restrição à natalidade, pois em um mundo de juventude eterna, a necessidade de novas gerações diminui, portanto, como acolhê-las, já que aposentadoria não necessariamente é algo tido como garantido? Não bastasse, ainda é o mundo do aquecimento climático e escassez de recursos, onde a principal forma de alimento passa por insetos processados, e a carne é uma raridade. O número "quatro bilhões" para descrever a população global surge aqui e ali ao longo da série. É citado uma grande praga no passado que matou muita gente, o que pode ter contribuído para o número atual.

Mas o que não quer dizer que tudo são flores: pessoas têm um jeito todo... próprio... de se relacionar com o que lhes poderia ser positivo e seguro. O narcisismo pode levá-las a banhos diários de rejuvenescimento. Preservar perfeitamente um antigo restaurante só pelas memórias que traz. A morte pode ser um evento raro, mas a principal causa é o parricídio. Pessoas podem ter múltiplas carreiras ao longo de uma mesma vida, mas o tédio pode consumi-las. E, mesmo diante da chave da imortalidade e juventude, elas ainda podem querer mais.

O conflito social aqui passa por direitos do indivíduo, o que faz sentido ser uma série francesa, cuja sociedade sempre é engajada, conforme vemos mesmo hoje em noticiários. No caso, questões a respeito da jovialidade e imortalidade: a maioridade legal é de 30 anos, idade mínima para o rejuvenescimento funcionar em um organismo com segurança. Pessoas que, hoje em dia em nossa sociedade, são adultos aptos para o mercado de trabalho e constituírem família na série são condenados a uma adolescência tardia.

Christa e Darius: a improvável dupla investigando um crime, com o mérito de fugirem de todos os clichês.

E a essas tantas, entram os protagonistas: Darius e Christa são, respectivamente, um policial com aposentadoria compulsória em vista, após 99 anos de serviço ativo, com muita bagagem e um evento traumático em sua vida logo na época  quando começaram a aplicação do rejuvenescimento que o assombra até hoje; e uma menor de 24 anos de idade que sobreviveu a um culto de suicídio jovem dez anos antes da nova onda, conforme na sinopse acima. Cada um em seu momento de vida, e a incerteza os norteia por igual.

Os personagens secundários dão a chance de ter mais reações a esta sociedade, como um policial que, aos 30 anos, reage muito mal ao presenciar alguém morrendo. Os pais de Christa, bem resolvidos na sociedade, ambos já em suas terceiras carreiras, com ela descobrem que ter um filho não é a coisa tão perfeitamente programada assim: ter uma água-viva de estimação é bem mais simples.

Christa e sua irmã adotiva.

A investigação passa por alguns níveis diferentes da complexidade da sociedade apresentada, até o epílogo onde um grande e anônimo oponente é apresentado. Como no gênero noir, é antes sobre sobrevivê-lo a realmente vencê-lo. E as coisas são como são.

Eu não pude deixar de notar que o tema de vampirismo possa ter sido abordado, de forma bastante sutil, mais às claras neste epílogo (não me entendam mal: é uma série de ficção-científica, ponto. O único outro gênero com que ela cruza é o policial).

Mas tomemos Drácula (cuja mini-série hiper-recente eu resenhei aqui)  como exemplo. Talvez parte do sucesso da história de Drácula seja por um motivo que não sei se Bram Stoker estaria ciente... há uma crítica social embutida, ao se descrever alguém da aristocracia predando em cima de gente comum ao redor e sem controle. Pode ser visto, ainda, quando o velho não deixa que o novo vingue, dele servindo-se para se revigorar, às custas da vida do novo. Ou, a espécie da água-viva imaginária não seria draculea (em oposição a nutricula da vida real) à toa.

Drácula



SPOILERS ABAIXO.

Drácula (2020) é a novíssima série disponível no Netflix que tem o mérito de trazer sangue fresco - piscadinha, piscadinha - ao tema de vampirismo e do personagem.

É uma alternate fiction, em que uma obra é contada de outra forma ou acrescentado um novo conteúdo: a obra assim mais conhecida até agora é a série em quadrinhos (esqueçam aquele filme horroroso) A Liga dos Cavalheiros Extraordinários, de Alan Moore e Kevin O'Neil.

A mini-série tem três capítulos somente, de coisa de 1:40 de duração, nos moldes de Sherlock, não por acaso também dos mesmos produtores, o que por tabela coloca Doctor Who no radar.

Os três episódios se dão em duas épocas e 3 cenários bem distintos: os dois primeiros se passam no final do Século XIX e o último agora em 2020, e no Castelo Drácula, a bordo do Deméter e na Londres atual.

E é aqui que entra a nova ideia: a exploração de certas lacunas deixadas em aberto na obra original, pois sendo um livro epistolar, Drácula apenas mostra os pontos de vista de quem testemunha, de perto ou de longe, o que está acontecendo, e nem sempre tudo é revelado, entre o trauma passado, algumas omissões por escolha própria ou falta de testemunho vivo. Ao procurar responder essas lacunas, os roteiristas dão prova do cuidado e esmerada atenção que têm com a obra original.

Claes Bang: o novo Drácula.

#1 The Rules of the Beast
O primeiro episódio explora, em dois sentidos, o Castelo Drácula, em estrutura antiga e labiríntica na qual Jonathan Harker se perde cada vez mais, da qual não é possível sobreviver para contar a história, em um crescendo de medo e desesperança. A situação sugere ao lugar uma mitologia própria, por assim dizer, o que o deixa bem mais interessante, com segredos que mesmo o senhor do castelo não está a par.

Das adaptações dos personagens originais, foi a de Harker que ficou mais interessante e é o primeiro com quem nos deparamos, engenhosamente confundível com Renfield. Ainda assim, até o final, é alguém que não cede ao mal que sobrepõe-se a ele - embora ele seja apenas humano, no fim das contas.

Temos ainda Mina Murray (Morfydd Clark, recém-saída de His Dark Materials como Irmã Clara), a noiva de Jonathan, pouco explorada, mais servindo para pontuar a tragédia do noivo - e foge do que se prova um fatídico encontro. O outro personagem de relevância aqui é um novo, uma repaginação de Abraham Van Helsing: Agatha Van Helsing, uma freira com problemas com a fé e de intelecto inquisitivo, caçadora do sobrenatural. Agatha está interrogando Jonathan, depois que, desfalecido e adoecido, ele é descoberto no rio que passa perto do Castelo Drácula e levado até o mosteiro romeno onde se dá também o episódio*.

#2 Blood Vessel
O segundo episódio conta fatídica viagem do Deméter, que trouxe Drácula para a Inglaterra. Com os hábitos alimentares do protagonista, sumiços vão ocorrendo, e um clima de 'whodunit?' é instalado: quase como um romance de Agatha Christie, onde o assassino em um ambiente controlado é deixado para ser investigado pelos convivas. Mas não há Poirot ou Marple aqui.

Os demais passageiros do navio e seus tripulantes não são somente desenvolvidos, são criados da estaca (piscadinha, piscadinha) zero, com histórias delineadas, personalidades e motivações bem definidas - tendo mais em comum do que inicialmente podem crer. Como em um primeiro momento do episódio é alertado, "cheio de personagens interessantes - não vá se apegar a nenhum."

Nesse episódio, uma nova ideia apresentada no inicial é melhor desenvolvida: sangue é vidas. Plural. Pelo sangue, Drácula é capaz de saber das histórias de quem se alimenta, e absorver suas habilidades, como um idioma. Mas mais do que isso, conforme se verá no terceiro episódio, sendo um conceito crucial (piscadinha, piscadinha) para a mini-série inteira. Vemos também sobre um pouco mais do que é o 'undead' nesse universo ficcional.

Faixa-bônus do segundo episódio: a presença da atriz Catherine Schell como a Duquesa Valeria. Ela foi uma das garotas de 007 - A Serviço de Sua Majestade (aquele, com o Lazenby) e trabalhou em Espaço: 1999 (1975-1977) no papel da alienígena Maya.

#3 The Dark Compass
O terceiro episódio é o que mais tem mudanças em relação à obra original: após uma ótima reviravolta ao final do segundo, Drácula desembarca na Inglaterra com 123 anos de atraso, em pleno agora. Aqui, da história original, temos a aparição do rico texano Quincey, Dr. Jack Seward e Lucy Westenra, todos no papel de jovens de seus 20 e poucos anos. Notei a ausência de Arthur Holmwood, o Lorde Godalming**, terceiro dos pretendentes de Lucy, talvez limado por falta de tempo, uma certa redundância com Quincey e mesmo o risco de um anacronismo.

O interessante aqui é que a correlação entre os personagens é 'fast and furious', com a banalização das relações no nível da superfície, entre quem quer o dinheiro de um e quem quer a beleza do outro. Jack é um apaixonado por Lucy, mesmo após terem tidos relações algumas vezes, mas ela é completamente descolada desse tipo de afeto, mais se deixando levar pelas promessas financeiras de Quincey, de quem vira noiva (na obra original ela se decide por Holmwood): e é exatamente por esse grau de descolamento afetivo que Drácula cresce o olho em cima.

Mas entra em cena uma outra novidade, a Fundação Jonathan Harker, uma joint-venture das famílias Murray e Van Helsing, para fins de pesquisa médica e outras que não são exatamente ortodoxas. Jack é um estagiário, aqui. Uma sobrinha-bisneta de Agatha (Abraham não é citado em nenhum momento), reaproveitando a mesma atriz (Dolly Wells, que com Clark estrela Orgulho, Preconceito e Zumbis), é uma das cabeças da fundação, a responsável no fim das contas por trazer Drácula à Inglaterra dos dias de hoje, aprisionando-o a muito custo... apenas para ser solto por um advogado de nome Renfield.

O episódio se encerra de maneira muito interessante, conseguindo uma explicação incrivelmente racional sobre o motivo de vampiros se comportarem mal diante de cruzes, luz solar, etc. e tal. E é dessa compreensão que sai a resolução do conflito, e mesmo um sentido de paz para quem viveu ansiando por 500 anos. Esse desenvolvimento foi, definitivamente, um dos pontos fortes da mini-série inteira.

E do Drácula?

Não conhecia o ator dinamarquês Claes Bang. Achei que seu Drácula corre para todos os lados, não é possível que a série não tenha sido tentada a homenagear o que veio antes. Podemos ver algo do Gary Oldman de Drácula de Bram Stoker (1992), talvez haja mesmo Bela Lugosi, e definitivamente eu vejo, ao menos, Christopher Lee - detalhe para a cena da cripta, no primeiro episódio: é a gomalina certa com os esgares certos.

Um legado.

Mas não pude deixar de lembrar do Jerry Dandridge de Chris Sarandon no A Hora do Espanto (1985) original, com o deboche sempre no canto da boca. Mas imagino que isso seja devido à escrita da série, definitivamente com a assinatura de Steven Moffat (Sherlock, Doctor Who), especialmente no primeiro episódio. A saber: respostas rápidas e engraçadinhas, pequenas reviravoltas, personagens excêntricos, nojinhos estratégicos e a sensação geral de que eu assistia uma iteração do Doutor contra o Mestre. Tudo feito de uma forma que, pessoalmente, estou um pouco cansado. Foi o que vi Doctor Who a se reduzir, mas isso é outra história. Ainda, o conceito de memória vinda pelo sangue me é, de alguma forma, similar ao da memória ancestral genética, que Moffat aplicou em sua ótima Jekyll (2007).

E do terror?

A maquiagem dos mortos-vivos funciona, os sustos fáceis estão lá, a antecipação e atmosfera necessárias também. Mas a dimensão do terror/horror vai além disso, como na relação de Harker/Renfield com insetos, gerando propositalmente um belo incômodo, assim como a promessa do sofrimento mesmo depois da morte: dado momento, em um cemitério, Drácula conta 9 'sofredores', mortos que não perderam a consciência, e tentam desesperadamente sair de seus caixões e túmulos.

E em uma das variantes mais bacanas da obra original foi a saída de Lucy Westenra da cripta... sendo que ela foi cremada. Há, segundo certas fontes na religião, que se esperar pelo menos 24h antes da cremação de um corpo, prazo necessário para a alma se desligar de seu corpo original e não sofrer com a queima do próprio - acho que vocês entenderam o recado.

Tem tudo para ser uma temporada somente, embora deixe questões bem em aberto, especialmente: qual é, afinal, a fonte de financiamento da Fundação Jonathan Harker? Mas gostaria, mesmo, é de saber que, se existe Drácula e ele passou o final do Século XIX mais XX indisponível para o mundo, e Lord Ruthven foi apenas um dândi que nunca foi um vampiro como no livro de Polidori; que obra popularizou o termo e o conceito de vampiro na cultura daquela realidade apresentada no filme?

No final das contas, apesar da minha implicância, o saldo é positivo. Drácula merecia uma presença melhor depois da terceira temporada de Penny Dreadful (2014-2016), do filme de 2014 e da série de 2013, e acho que aqui se conseguiu.

EDIT
Graças a alguns comentários aqui e ali, corrijo algumas imprecisões, ora no próprio texto, ora à parte, por aqui:
* Havia um mosteiro próximo ao Castelo Drácula, para onde originalmente Harker havia sido levado após cair no rio, fugindo de lá. Mina se encontra ali com ele e ambos se casam, tudo isto, originalmente no livro.
Há uma "irmã Agatha" também, mas ela é citada en passant.
** Pisquei e perdi: em sua carta no primeiro episódio, Mina descreve Holmwood como provável interesse, caso Jonathan "se distraia". Mas foi só.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Terror na Amazônia...

Ontem soube que o conto que escrevi a quatro mãos com minha querida Ana Carina Santos emplacou para a Terror na Amazônia, antologia de terror pela Editora Pará.grafo. Aos poucos, vamos indo... :)

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Sob as Luzes de Yule...

... é uma antologia sobre Natal/Solstício que aceitou em seu edital contos de Fantasia, FC e Gótico. Arrisquei um escrito de 2.577 palavras, vamos ver o que sai.

domingo, 29 de setembro de 2019

Terror Macabro - edital de antologia...

... seguindo este link. Via blog Mundo Sinistro Filmes e Contos.

 8 mil e 10 mil caracteres com espaços, prazo final até 5 de Novembro de 2019.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Mitografias 3 - Trindades

Fui aprovado para esta antologia, sobre mitologia e literatura fantástica. Este volume é sobre deuses e conceitos triáticos (Normas, por exemplo). Meu conto, Executor, reúne as deusas greco-romanas da Justiça, Vingança e Clemência em um Império Romano que não deixou de existir ao fim do Século V d. C.

Bom ver gente do quilate de Simone Saueressig e ver amigos como Victor Almeida na mesma lista. Boa sorte a todos!



terça-feira, 24 de setembro de 2019

Eisoptron - blog de Daniel F. Rossi

Daniel Rossi nós tivemos o prazer de ter um escrito seu na Monstros Gigantes - Kaiju (abre o livro com Darvaranagá), fomos agora colegas na Duendes e só então descobri que ele tem um blog, cheio de seus escritos. Infelizmente está parado faz um ano, espero que ele possa retornar um dia. Já está na coluna lateral.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Sextas de Sci-Fi: Astronomia, Ficção Científica e o Olhar

Uma breve interrupção na série de construção de mundos no blog do Planetário do Rio. Este é um texto encalacrado desde Abril último, por ocasião da confirmação dos buracos negros via o da galáxia M87. É um texto de cunho mais pessoal, de impressões, do que mais dirigido à informação. Espero que gostem. Cliquem aqui.

Pensem em uma pessoa que não se contém em si.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Sextas de Sci-Fi: Worldbuilding - Athelgard

Athelgard: yes, nós temos worldbuilding. Com mapinha!

Ou, do universo de fantasia de Ana Lúcia Merege :)

Atenção para o aviso de nossas palestras ao final da matéria, lembrando a postagem imediatamente abaixo desta: eu estarei falando de WB amanhã sábado 14 de setembro às 10 e Ana às 12, na Biblioteca Parque de Niterói sobre Duendes no folclore e literatura, em evento do grupo Fantasia Brasil.

Compareçam! :)

Link para a coluna, antes que me esqueça.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Mês Nerd na Biblioteca Parque de Niterói

Também estou nessa, às 10h de Sábado, dia 14, para palestra de worldbuilding. Via Fantasia Brasil:

Nerdices em profusão. Venham, venham!

Muitas atrações legais na Feira Fantasia Brasil (13 e 14/09) no mês nerd da Biblioteca Parque Niterói! Veja a programação completa e marque os amigos! Swordplay, livros, palestras... salve estas datas!

SEXTA FEIRA 13/09/19 | 11h às 18h
11h – Feira Literária
Abertura da Feira Literária – feira literária com preços promocionais – livros e sagas de literatura fantástica para todos os gostos, sessões de autógrafos para o público infantil – juvenil - adulto. (Horário da feira: 11h-18h). Local – Sala Multimeios – Térreo.

14h – Palestra "Quero Jogar RPG, por onde começar e como mestrar? ". Nesta Palestra, Matheus Barcelos, da Taverna do Arcanum, explica o que é RPG e como se tornar mestre em mesas de RPG.
Local: espaço central “Café Paris” – Térreo. Duração 1h.

15h às 18h – 2 mesas de RPG mestradas pela Editora New Order
Local: Sala Multiplicidade – Térreo.

18:00h – Encerramento
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SÁBADO 14/09/19 | 10h às 15h

10h – Feira Literária
Abertura da Feira Literária – feira literária com preços promocionais – livros e sagas de literatura fantástica para todos os gostos, sessões de autógrafos para o público infantil – juvenil - adulto. (Horário da feira: 10h-15h). Local – Sala Multimeios – Térreo.

10h – Palestra & Oficina "Worldbuilding: Construção de Mundos em Fantasia e Ficção Científica."
Luiz Felipe Vasques é designer gráfico por formação e fã de Ficção-Científica Participa da organização dos prêmios de literatura fantástica Argos e LeBlanc. É o responsável pela Sextas de Sci-Fi, a coluna do blog do Planetário do Rio sobre Ficção-Científica.
Local: espaço central “Café Paris” – Térreo. Duração 2h.

12h – Palestra "Duendes: o mundo feérico no folclore e na literatura de fantasia".
ANA LÚCIA MEREGE, escritora e curadora de Manuscritos da Biblioteca Nacional.
Local – espaço central “Café Paris” – Térreo. Duração 1h30.

11h às 14h – 2 mesas de RPG mestradas pela Editora New Order
Local: Sala Multiplicidade – Térreo.

11 às 14h – Swordplay na área externa

15h – Encerramento
APOIO:
* ESCOLA ZION * JAMBO EDITORA
* NEW ORDER EDITORA * EDITORA KIMERA *

sábado, 31 de agosto de 2019

Duendes na Bienal do Rio

Monstrões e monstrinhos.

Tive a felicidade ontem de, chegando no estande da editora Draco (O-83 do pavilhão verde), encontrar estas duas criaturas lado a lado.

Para quem não conhece, a Monstros Gigantes - Kaiju foi co-organizada por mim e Daniel Ribas em 2015, um livro que deu muito gosto de fazer. Ganhamos o Prêmio Argos no ano seguinte (e o meu conto nela tbm).

A Duendes - Contos Sombrios de Reinos Invisíveis é a quarta antologia organizada por Ana Lúcia Merege (depois da arturiana Excalibur, da qual participo com 'meio conto' junto com Daniel Bezerra, e ainda Medieval e Magos), e nela eu tenho um conto que foi aprovado na época.

Participam ainda Daniel F. Rossi e Sid Castro, que também estão na Kaiju. Só por esses dois, qualquer antologia vale à pena.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Prêmio Odisseia - Vencedores


Finalistas e vencedores no palco. Fonte: Literatura RS

Evento anual de literatura fantástica sediado em Porto Alegre, a VI Odisseia de Literatura Fantástica este ano trouxe uma premiação, realizada dia neste domingo dia 25 de Agosto. Segue lista de finalistas e vencedores (estes, em primeiro e em destaque) de cada categoria.

Narrativa LONGA Literatura Juvenil
Ana Lúcia Merege – Orlando e o escudo da coragem – Editora Draco.
Juliana Feliz – As cinzas de Altivez – Midiograf.
Miriam N. Dohrn – Detektis – SGuerra Design.

Narrativa LONGA Horror
Carolina Mancini – Nihil – Editora Estronho.
Danilo Correa – Sob a escuridão – Cervus Editora.
Pablo Amaral Rebello – Peixeira & Macumba – Independente.

Narrativa CURTA Horror
Isabor Quintiere – Madres – Editora Escaleras.
André Balaio – O lado de lá – Editora Patuá.
Marcelo Augusto Galvão – Sombras no coração – Independente.

Narrativa LONGA Ficção Científica
Ricardo Labuto Gondim – Corrosão – Editora Caligari.
Luiz Mauricio Azevedo Silva – Pequeno espólio do mal – Editora Figura de Linguagem.
Roberto de Sousa Causo – Mestre das marés – Editora Devir.

Narrativa CURTA Ficção Científica
Saulo Adami – A invasão dos macacos – Editora DTX.
Alexandre Veloso de Abreu – A necronauta – Editora Scriptum.
Fábio Fernandes e Nelson de Oliveira – Oneironautas – Editora Patuá.

Narrativa LONGA Fantasia
Paola Siviero – O auto da maga Josefa – Dame Blanche.
Simone Saueressig – De ferro e de sal – Independente.
Yasmim Naif Amin Mahmud Kader – Caçada às estrelas da noite: sob o céu da noite eterna I – Independente.

Narrativa CURTA Fantasia
Gabriel Cianeto – Oceano sorvete de uva – Editora Multifoco.
Deise Soares Ferraz de Vargas – A ponte de paladinos – Independente.
Marcelo Bighetti – Sacrifício consumado – Independente.

Bom ver alguns nomes repetidos, o que pode indicar que há um público votante que esteja gostando de uma mesma produção: Corrosão e O Auto da Maga Josefa, que no Prêmio Argos foram finalistas de Melhor Romance (perdendo para A Mão Que Pune - 1890), aqui ganharam em Narrativas Longas de seus próprios gêneros. Lá, o vencedor de Melhor Conto, Sombras no Coração, foi o finalista aqui em  Narrativas Curtas de Horror.

Mais cedo no ano, no Prêmio LeBlanc, O Auto da Maga Josefa também ganhou na categoria de Romance Nacional de Fantasia, FC ou Terror.

Nota-se a presença dos independentes entre os finalistas, assim como a diversidade das editoras, sem nenhuma de grande porte.

Parabéns aos organizadores, participantes e vencedores!

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Inspirações...

Andei pesquisando para um conto que mandarei para a Mitografias 3 - Trindade, envolvendo mitologia e deuses triáticos. O conto envolveu tirano de Atenas, um sábio grego, e um estranho mecanismo... alguém adivinha sobre o que é?

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Sextas de Sci-Fi: Worldbuilding - A Terra Média

A Terra Média vista do espaço, via Outerra.

Nas Sextas de Sci-Fi do #blog do Planetário Do Rio comecei hj uma nova série, sobre Worlbuilding. Impossível não começar pelo maior deles. A Terra Média impressiona até hoje.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Inspirações e Pesquisas...

Não sei se a meia dúzia que me segue aqui sabe, mas eu me arrisco a escrever literatura fantástica de vez em quando: ficção científica e fantasia primariamente, ainda olho pra terror com um pouco de receio (é, piada horrorosa não intencional mas bem vinda). Pra isso resolvo pesquisar algumas coisas a respeito do tema, dentro do gênero, a que me disponho a escrever. Há um tempo atrás eu tinha um blog só sobre as referências, mas acabei deixando de lado... pensei em voltar com ele, mas... nhé. Prefiro inaugurar um novo marcador pra isto: referenciais.

Trago hoje um resultado duma pesquisazinha que fiz pra um artigo das Sextas de Sci-Fi, dentro da série Nossos Astros na Ficção Científica - As Estrelas do Firmamento: foi a descoberta do site DataSketch.

Datasketch: demonstrando que constelações são convenções culturais.

Até achei que tivesse falado dele na época, mas pelo visto me descuidei, só deixando o link direto para a coluna.

A ideia do DataSketch é correlacionar graficamente estrelas de importância no céu com constelações imaginadas por outras culturas que não a nossa. No exemplo acima, Betelgeuse, que é tanto Órion quanto o Tucano, o Arado, entre outras. Pela facilidade da interface, imagino que possa ter uma boa função pedagógica... tentem, vocês vão gostar.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Sextas de Sci-Fi: As Possibilidades do Cinema de Ficção Científica

Rogue One e A Chegada (2016): duas possibilidades distintas dentro do mesmo gênero.

Na Sexta de SciFi do blog do Planetário do Rio, para hoje reenviamos o texto As Possibilidades do Cinema de Ficção Científica.

Foi um dos textos que eu mais gostei de ter feito. Tive a ideia para uma coluna que infelizmente não aconteceu, na época do lançamento dos dois filmes a que me dirijo como exemplo: tinha acabado de assistir A Chegada e, uma ou duas semanas depois, assisti Rogue One. Claro que essa constatação me era antiga, mas vê-la assim, com duas novidades em tão pouco tempo entre ambas acabou me inspirando.


Aproveito e falo da Science & Entertainment Exchange, uma iniciativa da Academia americana para, junto às produções hollywoodianas, tentar esclarecer pontos em histórias e quetais.

Divirtam-se!

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Sextas de Sci-Fi: Três Visões Vernianas

Três vezes Verne.
Reenviamos hoje uma micro-entrevista feita no "Fevereiro Verniano" com três autores que tiveram Júlio Verne como personagem em seus escritos de ficção científica: Octavio Aragão, João Barreiros e David Brin.

http://planeta.rio/tres-visoes-vernianas/

quinta-feira, 25 de julho de 2019

The Forever War

The Forever War, de Joe Haldeman (Orion Press, 2009)

Spoilers abaixo.

Clássico da FC Militar, The Forever War (1974) é escrito por um veterano da Guerra do Vietnã (1955 - 1975), um ano antes da Ofensiva do Tet e da retirada das tropas americanas do sudeste asiático, dando fim ao conflito. Por ser a história que é e, imagino, capturar o momento, foi a obra vencedora dos Prêmios Hugo e Nebula, os máximos da FC norte-americana, além do Locus na categoria Melhor Romance do Ano.

A grande sacada de seu autor, Joe Haldeman, foi unir as consequências da dilatação do Tempo quando em velocidades próximas à da luz (o tempo passa bem mais devagar para um viajante nessas velocidades do que "do lado de fora") com a estranheza dos EUA no início e o fim da Guerra: uma América bem menos otimista e jovial do pós-II GM havia surgido; após toda a contestação, a contracultura beatnik, os assassinatos de Kennedy e Luther King, a Crise do Petróleo, hippies e o Verão de 68, os movimentos pacifista e ambiental, tensões étnicas, etc. etc. etc.

Soldados serviam até doze meses no Vietnã e, sobrevivendo, voltariam para casa. Mas a ideia é: e se eles ficassem todos os vinte anos fora de casa, no Vietnã? Como seria o contraste, ao voltar? Que EUA eles encontrariam? Como seria a sociedade? Perguntas feitas por alguém que teve que lutar para se reajustar à sociedade civil, especialmente após se ferir na guerra, ao servir em meados dos anos 60.

E Haldeman responde isso muito bem. A sociedade que ele imagina, no exótico mundo de 2024, ano do primeiro retorno do protagonista, o soldado William Mandella, é diferente o bastante do de sua partida, nos então distantes anos 90. Haldeman foi bem além do que nós fomos na vida real, com uma ciência astronáutica bem mais desenvolvida que em nosso mundo.

Mas ele reimaginou a sociedade de forma curiosa e amedrontadora, após episódios de fome mundial e um regime de força instaurado via ONU para assegurar que a sociedade não acabasse de descambar, com uma economia girando - e dependendo vitalmente - ao redor da guerra. A sexualidade é mais aberta, mas a seguridade social se torna cada vez mais escassa pela idade, até a inexistência. Cidades são aglomerados de pessoas em vários andares, todos com problemas altíssimos de segurança, sendo prática corriqueira contratar guarda-costas. Empregos são indicados pelo governo, mas há uma prática (ilegal) de subcontratar. Comunidades agrícolas semi-independentes correm à margem das cidades e do sistema, mas têm que enfrentar ataques de bandidos organizados; tudo com uma ligeira aura sugerindo o que vai ser explicitado em obras posteriores, de Mad Max ao cyberpunk.

A única certeza que Mandella tem é a da guerra. Ele se realista após experiências pessoais ruins, ele e uma colega de armas com quem já se relacionava nos tempos do serviço (o "amor livre" era prática na caserna), a cabo Marygay Potter. E a certeza de estarem juntos é também o que os conforta... por um tempo.

Mas nem na guerra a certeza lhe bastará: relíquia do fim do Século XX, ele irá se encontrar isolado culturalmente, entre o idioma que não mais fala e até mesmo sua sexualidade. Se apesar disso ele ainda tem que comandar os seus subordinados... o Exército deve saber o que está fazendo, não? :)

Mandella é um personagem curioso. Tem QI na base de 150, o que o candidata aos esquadrões de elite, com mestrado em Física. Ao mesmo tempo, não promove debate ou parece refletir o suficiente sobre o que ocorre. Não que não entenda, pelo contrário: talvez desde o começo perceba que não há nada a fazer em um sistema que depende da guerra para funcionar e, para isso, irá sacrificar gerações não raro com requintes de crueldade e passar um milênio em uma guerra contínua. Ele não busca informações sobre processos decisórios, alternando entre tempo de serviço e no que são breves momentos de fuga. Toda a informação que recebe é para fins práticos para a guerra. Deve ter sido processo similar na Guerra do Vietnã e o inimigo de aspecto mais estranho do que a norma étnica e cultural do soldado americano, assim como cultura e idioma, garantindo, suponho, uma barreira de comunicação perto do intransponível para a maioria. Ele não reflete, ele não julga, ele não condena - ele apenas prossegue.

O livro é o segundo escrito em um mesmo universo, o primeiro havendo sido War Year (1972), baseado nas cartas que enviou para casa, quando estava na guerra. Teve a sequência Forever Free (1999), um relato do ponto de vista da personagem Potter chamado A Separate War (1999) e uma sequência temática, não cronológica, chamada Forever Peace (1997). Há ainda adaptações para quadrinhos e uma para boardgame.

É um clássico instantâneo da FC Militar, como foi dito, sendo obra que merece estar ao lado de Tropas Estelares (1959), de Robert Heinlein, da qual tirou inspiração e de quem recebeu elogios.

Editora Aleph em vários fronts.

No Brasil, A Guerra Sem Fim pode ser encontrado pela editora Aleph, que também publicou a obra acima, investindo ainda na série mais recente A Guerra do Velho (2005, John Scalzi), apresentando ao público brasileiro três marcos do subgênero.

The Forever War
244 p
Orion Press

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Omelete de Duendes

Duendes - Contos Sombrios de Reinos Invisíveis ganhou uma matéria no Omelete, com trechos de contos de Diego Guerra, da organizadora Ana Lúcia Merege e deste que vos digita. A campanha de financiamento continua, aliás.

domingo, 21 de julho de 2019

Sextas de Sci-Fi: A Conquista da Lua

Não foi bem assim que aconteceu, mas quase lá...
Nas Sextas de Sci-Fi do Blog do #Planetário da Gávea: a Conquista da Lua!

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Crônicas da FC Brasileira - Argos e a Casa Fantástica

Nas Crônicas da FC Brasileira (link na coluna ao lado) do dia 16 de Julho, Gerson Lodi-Ribeiro discorre sobre sua presença na Casa Fantástica da FLiP e a entrega do Argos 2019.  Um vídeo sobre sua palestra está aqui.

sábado, 13 de julho de 2019

PRÊMIO ARGOS 2019 - RESULTADOS!







PRÊMIO ARGOS 2019 - RESULTADOS!
A Comissão do Prêmio Argos 2019 de Literatura Fantástica deseja parabenizar os participantes e em especial os ganhadores!
Seguem os resultados, com os ganhadores sendo citados em primeiro, nas suas categorias.


ROMANCE:
A Mão Que Pune - 1890 - editora Caligari, por Octavio Aragão (livro que comentei aqui)
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Corrosão - editora Caligari, por Ricardo Labuto Gondim
O Auto da Maga Josefa - editora Dame Blanche, por Paola Paola Lima Siviero


ANTOLOGIA ou COLETÂNEA
Fractais Tropicais - editora SESI-SP, org. Nelson de Oliveira
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2084: Mundos Cyberpunk - editora Lendari, org. Lidia Zuin
Aqui quem fala é da Terra - editora Plutão, org. André Caniato e Jana Bianchi

Lovecraftiano: Volume 1 por [Galvão, Marcelo A.]


CONTOS
Sombras no Coração - in: Lovecraftiana vol. 1, autopub., por Marcelo Marcelo Augusto Galvão
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A Noite Não Me Deixa Dormir - editora Dandelion, Camila Fernandes
Entre as Gotas de Chuva, Encruzilhada - in: Aqui quem fala é da Terra, editora Plutão, por Cirilo S. Lemos

A Comissão também agradece todos aqueles que ajudaram de alguma forma, em especial à Priscilla Lhacer pelo espaço na Casa Fantástica, durante a Feira Literária de Paraty.

Um forte abraço a todos e até ano que vem!

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Sextas de Sci-Fi: Mundos Imaginados

Vulcano, antes do Sr. Spock.

Nas Sextas de Sci-Fi no blog do #Planetário do Rio, o fim da série (não da coluna!) Nossos Astros na Ficção-Científica, com o artigo: Mundos Imaginados. #Astronomia

Esperamos que tenham gostado de viajar tanto quanto curtimos pesquisar. :)

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Duendes - Meta expandida



Dica de Donana Merege:

Arthur Rackham (1867 – 1939) nasceu em Londres, numa família com doze filhos. Segundo seu biógrafo, Derek Hudson, era apaixonado por desenho desde criança e escondia papel e lápis sob as cobertas; quando sua mãe confiscava o papel, desenhava (...)

Saiba um pouco mais sobre Arthur Rackham e ajude a duplicar as recompensas de Duendes! Lá na Estante Mágica de Ana Merege.


segunda-feira, 8 de julho de 2019

Artemis

"Para Michael Collins, Dick Gordon, Jack Swigert, Stu Rosa, Al Worden, Ken Mattingly e Ron Evans. Porquê esses caras nem de longe recebem crédito suficiente." - Artemis, 2019. Ed Arqueiro.

Artemis (original em inglês publicado em 2017) é o novo livro de Andy Weir, escrito após Perdido em Marte, que até virou filme com Matt Damon. Desta vez, a Lua é o alvo.

No final do Século XXI, finalmente colonizamos a Lua: é Artemis, construída por um esforço inciado no Quênia, após atrair empresas particulares de astronáutica com uma política de impostos quase nula. Diversos laboratórios e indústrias se estabelecem em seus cinco domos interconectados (temos belos mapinhas abrindo o livro), assim como comércio, turismo, serviços e atividades ligadas a uma vida civil não tão especializada.

A trama tem alguns tons noir, ao envolver gente de baixo na pirâmide social com a nata, que ostenta fachadas de legalidade: a protagonista é uma entregadora que tem uma lucrativa atividade de contrabando de pequenas regalias para quem pode pagar. Desde cedo às voltas com encrencas junto à polícia por pequenos delitos, ela tenta cavar um lugar ao sol - e a chance surge quando um de seus clientes a contrata para um ato de sabotagem fora da cidade. A trama, a partir daí, escalona para outros elementos, como monopólios, carteis do crime (destaque para "O Palácio"...) e etc.

Há algumas semelhanças deste livro com o anterior. Ambos são centrados sobre os protagonistas, tipos bastante inteligentes, muito obstinados e com uma boa dose de humor ácido, cheio de opiniões sobre cada detalhe que testemunham, vivenciam ou lembram, e que através de sua prosa informal procuram atenuar o derrame de detalhes técnicos para o máximo de leitores possíveis, ambas afinal são obras de hard science fiction

Os domos da cidade Artemis: nomes de astronautas que desceram na Lua.

Ao repetir essas semelhanças, um probleminha: por mais que Jasmine "Jazz" Bashara, aqui, seja mulher de origem saudita com problemas financeiros e daddy issues, enquanto Mark Watney de Marte é um americano branco sem maiores desenvolvimentos de antecedentes - até onde eu me lembro, ao menos -; o discurso entre ambos varia muito pouco, e essa impressão piora porque em ambas as obras a narrativa é em primeira pessoa. 

Lá pelo meio do livro até dá pra sentir um pouco mais de diferença, já que a situação em que ambos se encontram é diferente, apesar de algumas semelhanças (essencialmente dois solitários contra um ambiente hostil, mas o caso de Mark é, indubitavelmente, bem mais literal do que o de Jazz). Mas não muita.

O grande destaque é a construção pelo autor da cidade de Artemis (implicância: por que não traduziram como Ártemis? O nome da deusa é proparoxítona, na verdade, então, em Português rola acento na antepenúltima sílaba). É um ambiente detalhado e crível, seja pelos detalhes técnicos, seja pela população descrita que a habita, multiétnica e internacional. É uma boomtown controlada atrás das oportunidades na nova fronteira, e detalhes de como a economia funciona são bem apresentados aqui e ali ao longo do livro, assim como a correlação com a história em si.

Assim como Perdido em Marte, a pesquisa feita pelo autor, egresso da área da informática, impressiona pelo grau de detalhamento. E aí está um problema. Apesar, como eu disse, dele usar o máximo de um linguajar informal para diluir uma carga informativa técnica, eu senti que a prosa fluiria ainda melhor se certos detalhes fossem menos explorados: se você quiser saber como cortar coisas com um maçarico em pleno no vácuo, vá em frente, esse é o seu livro. Essa tendência piora no trecho final de Artemis, quando arriscadas situações de vida ou morte ocorrem, e a trama necessariamente fica bem acelerada: pesquisa não substitui história. Mas isso não desmerece o resultado do livro, de forma alguma, eu o devorei em dois dias.

É, antes de mais nada, uma declaração de amor ao Projeto Apolo, que levou o ser Humano até a Lua. A dedicatória que abre o livro é justa: a todos os terceiros astronautas de cada um dos voos, do XI ao XVII, aqueles que foram até a Lua - mas nunca desceram, sendo os pilotos da missão. E ao desejo que, pelo menos nos 2080s (informação via artigo na wiki, eu jurava que seria fins de 2060, dado que é dito que Star Trek tem cerca de cem anos), já estaremos lá de volta, definitivamente.

Um bom livro para ser ler às vésperas do cinquentenário do Homem na Lua.

Artemis
304 p.
Editora Arqueiro

domingo, 7 de julho de 2019

Years and Years

Acabei de ver por um acácio o 1x02 na HBO. Pelo showrunner original de Doctor Who (e a Trivia no IMDB nota as semelhanças usadas aqui e em alguns eps de DW).

É desse ano, é FC tão near future que começa ainda neste 2019 e segue pelos próximos 15 anos: colapso bancário, ecológico e geopolítico, Michael Pence, vice de Trump, agora é presidente de uns EUA tão fascista que o mundo começa a fazer sanções contra, os presidentes da China e Rússia - os próprios Xi Jinping e Vladimir Putin - se tornam vitalícios.

A série foca em uma família inglesa, com seus dramas e variedades, que será pega em cheio pela quebradeira. Os Lyons têm mais diversidade do que Sense 8, o que pode ser um pouco caricato, mas os atores seguram.

Conectividade rola solta (conferências via Echos da Amazon corriqueiras, com múltiplos participantes: o grupo de zap da família é ao vivo e em áudio), uma das adolescentes da família resolve assinar embaixo do credo transhumanista, com implantes subcutâneos que substituem parte de seu telefone.

Ao redor, o mundo deporta imigrantes como se nada fosse, um ataque nuclear americano ocorre em uma ilha artificial criada pela China em águas internacionais em disputa, Rússia controlando de vez a Ucrânia em um governo que tortura dissidentes e homossexuais, a toda hora pequenas reportagens ao fundo sobre sumiço de pássaros e insetos, aquecimento global, escassez, etc.

Os ingleses vêm pegando o jeito de fazer near future: em geral programas com gente comum, mas com um elemento tecnológico chegando e mudando tudo, deixando o julgamento mais para o espectador, ou ao menos ao meu ver. Humans é um bom exemplo.

Gostei. Ainda vem de brinde a Professora Sybil Trelawney e Mr. Claire.

Abertura de Cáprica

Ontem dia 6 de Julho foi a Galacticon, que falei mês passado. Meu amigo Ivo Heinz deu a palestra dele, e comentou que falaria sobre a Caprica (2011), "prequência" de Galactica (2004), falando de sua abertura.

É uma das minhas aberturas favoritas, pois acho riquíssima de detalhes que apresentam o drama. Fiz uma análise que, espero, ele pode ter se beneficiado em sua apresentação. Vou repassá-la aqui.

***

(0:01)
A câmera segue em um travelling contínuo até o último segundo, “sobrevoando” os núcleos principais da série: ela abre em uma cidade futurista, correndo para o prédio das Indústrias Greystone, o ambiente é automatizado e frio em tons esverdeados, e lá se encontra o empresário e cientista Daniel Greystone testando um protótipo cylon que, ao passar pela viga, transforma-se em sua filha Zoe, denotando a relação dela com os robôs. Uma segunda viga a “destransforma” para o cylon de novo, (0:12) mas passando por vegetação dando a impressão de um espinheiro, e a câmera avança por ela e revela, em cores azuladas e frias, um cemitério.

(0:14) Quatro personagens estão ali, dois homens, uma anciã e um menino. O homem à frente de chapéu está sobre uma lápide onde se lê Adama, que é o nome da família deles: ele é Joseph Adama, o pai e chefe da família, atrás, segurando um guarda-chuva, a avó, e ainda ao lado o filho William e o irmão Sam. Enquanto a câmera passa por esses dois, Sam põe a mão esquerda sobre o ombro, junto ao pescoço, de William, e afasta com a direita o paletó, revelando para a câmera antes dela sair que tem uma faca. A câmera busca a estátua de um anjo atrás dele e foca em sua mão estendida, e nova mudança de ambiente.

(0:25) A mão se fecha sobre um chip, as cores são quentes, e se vê duas personagens femininas dentro de uma igreja, uma mais velha e uma jovem: Clarice Willow e Lacy Rand. Clarice entrega-lhe o símbolo do infinito. A câmera passa por Lacy e nova mudança de ambiente.

(0:30) No topo de um prédio, com um VTOL decolando ao fundo, vê-se novamente Daniel Greystoke agora com sua esposa Amanda, a câmera vira por trás deles e vemos, entre eles, sua filha Zoe. Um zoom extra foca em um de seus olhos e vemos o brilho vermelho do olhar cylon, assim como o efeito sonoro característico. Há a primeira interrupção do travelling e temos a vista panorâmica de uma cidade futurista, fade to black e o logo da série surge, “Caprica”.

Avaliação:

A abertura sintetiza de forma primorosa em pouco mais de 40 segundos os núcleos e conflitos principais. Sob um certo aspecto, é um drama sobre duas famílias, logo no início de eventos que eles nunca terão ideia do que ocorrerá, nem seu papel na gênese de tudo, desenrolando-se décadas depois durante o massacre cylon, início da série anterior, "Galactica".

No primeiro trecho, sobre o que é a série: o nascimento dos cylons, Cybernetic Life-form Node; robôs para o combate. A transição com Zoe é a respeito da fusão de sua mente com as I.A. por trás dos robôs. Daniel Greystone também está ali não somente por ser um dos personagens principais da série, mas também mostra sua devoção para com seu trabalho, que na série aprendemos que está custando seu casamento.

No segundo trecho, a dinâmica dos Adama: em um ambiente lúgubre, a morte ronda esta família. A esposa e mãe, Shannon, e a filha e irmã Tamara morrem em um atentado logo no início da série. Ainda, a família e em seu passado eles próprios têm negócios rondando o equivalente da máfia. Ajoelhado e de costas para o resto, Joseph negligencia o filho, que cai sob a influência do tio, Sam. A passagem da câmera revelando a faca à cintura faz notar que é que um homem perigoso tendo influência sobre um jovem.


O terceiro trecho fala da questão religiosa e da manipulação da mesma pelas mãos da personagem Clarice sobre os mais jovens – ela é diretora de uma escola –, representada pela presença de Lacy. O símbolo do infinto é o símbolo dos Soldados do Um, fanáticos religiosos que provocam atentados terroristas: mas com o destino final de Lacy, isso pode ter mais significado do que aparenta, e inadvertidamente provocado por Clarice. Cabe notar que dentro da igreja está como se estivesse ventando e as cores e luzes quentes tremulam, como se estivesse tudo em chamas, senão ao redor, do lado de fora.


O quarto trecho volta aos Greystone, agora apresentando como núcleo familiar: elegantes e distantes, eles caminham no terraço de um prédio, e passam por sua filha Zoe no meio deles, sem em nenhum momento dirigirem-lhe o olhar, como se ela não estivesse ali. Ela também é negligenciada. Ela, por sua vez, olha direto para câmera, zoom in e sua fusão com os cylons é novamente sugerida.

A abertura fecha como abre, mostrando uma grande cidade futurista, antes do logotipo “CAPRICA” aparecer.

***

Em um escopo maior, já foi dito que Caprica é um retrato dos EUA: Os Greystone, assim como os Capricanos, são ou tendem a ser representados por atores que encarnariam o padrão WASP. Os Adama, gente morena de Tauron, seriam algo entre latinos ou italianos, vistos de maneira depreciativa, com laços com o crime organizado. Infiltrando-se cada vez mais, uma religião monoteísta capaz de atos de terrorismo contra religião vigente, politeísta.

Pessoalmente acho que não fez sucesso por acabar fundindo dois gêneros que não pensa em apresentar normalmente: a sopa opera, ou novela americana, com seus dramas familiares de casamentos em crise e filhos problemáticos; e uma temática de ficção-científica. Pessoalmente eu lamento que tenha sido cancelada em tão pouco tempo.

Luiz Felipe Vasques
28.06.2019