sábado, 8 de janeiro de 2011

A Mão Que Cria

A Mão Que Cria, por Octavio Aragão (2006)

Levou quatro anos, mas finalmente decidi ler A Mão Que Cria, comprado e autografado na noite do lançamento, em 2006. Devorei.

Conheço o autor desde os 1998s da vida, da convivência virtual em listas dedicadas a ficção-científica e afins, especialmente da finada e saudosíssima lista da Intempol, seu projeto de shared universe literário. Ou seja, não sou isento aqui. Uma vez alertados...

Uma miríade de referências literárias, cinematográficas e de quadrinhos montam uma história de vingança, de feudos e dramas pessoais, firmemente entrelaçados nos destinos políticos de um mundo divergido do nosso histórica e tecnologicamente, com personagens históricos e fictícios convivendo, à maneira do gênero conhecido por ficção alternativa, da qual Anno Dracula (resenhado mais abaixo, no ano passado) é grande exemplar - e do qual o próprio Octavio Aragão assina o posfácio da edição brasileira.

Como um dos homens-golfinhos descritos, o autor desliza bem entre as referências que lança, costurando eventos isolados no tempo e na geografia, com saltos não só entre lugares mas também em períodos e eventos históricos. Ataques de zumbis, supersoldados, as duas guerras mundiais, reis submarinos manetas... a lista vai longa. Gentil, o autor ainda dispôs um pequeno guia de referências ao fim do livro.

A prosa do autor, em escritos passados, não costumava poupar muito o leitor, que tem que estar atento, às vezes 'ir de um neurônio', na gíria dos skatistas. Neste livro, a coisa é mais branda, há mais explicações do que estou acostumado a ver, mas faz parte de se escrever um page-turner.

O livro vem pela Editora Mercuryo, que na época ainda lançara Outros Brasis, de Gerson Lodi-Ribeiro, sob o selo Unicórnio Azul, dedicado à literatura fantástica. Até onde soube, o selo foi extinto e, constatando no site da editora, ambos os livros não estão mais em estoque.

Apenas um alerta aos incautos: a editora comeu mosca, ao publicar datas erradas no início de certos trechos do livro (fazendo com que, por exemplo, o rei submarino maneta, descrito como havendo perdido a mão em 1970 assim já esteja nos capítulos finais, ditos em 1946). Em uma narrativa que naturalmente vai e volta ao longo do Século XX e arredores, isso pode realmente confundir. Um pequeno cartão anexo explica isto, mas caso seu exemplar não tenha, ou você não encontre... é torcer para que em uma futura edição isto seja revisto, além de outros deslizes menores. Certamente merecia mais cuidado.

De qualquer forma, em andamento já está a sequência: A Mão Que Pune. Resta aguardar...

A Mão Que Cria
159 p.

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